A reputação de salão que gozava Lord Beaconsfield, levou algum tempo a
transformar-se em popularidade; mas a sua popularidade, apenas obtida,
penetrou rapidamente a enorme massa trabalhadora, e tornou-se em poucos
annos essa vasta e ressoante nomeada, que fez o seu nome familiar, quasi
domestico, em toda a parte onde se falla inglez, na mais rude aldeia de
pescadores de Cornwall, no _bush_ d'Australia, entre os mesmos
montanhezes barbaros das _Highlands_, e que, quando elle se dirigia ao
congresso de Berlim, attrahia ás estações do caminho de ferro as
populações da Allemanha a contemplarem o _grande inglez_. E este
reconhecimento de gloria constitue um dos phenomenos mais curiosos da
carreira de Lord Beaconsfield; porque, em geral, não se avalia bem a
difficuldade portentosa de obter uma fama, mesmo mediocre.
Não ha nada tão illusorio como a extensão de uma celebridade; parece ás
vezes que uma reputação chega até aos confins de um reino--quando na
realidade ella escassamente passa das ultimas casas de um bairro.
No momento de sua prodigiosa voga, o velho Alexandre Dumas ficou
assombrado de que o magistrado de uma villa visinha de Paris, homem
illustrado, de resto, não soubesse com que letras se escrevia esse
glorioso nome de Dumas!
E se nós pudessemos reduzir a numeros as proporções das glorias
contemporaneas, ficariamos aterrados perante a grotesca mesquinhez dos
resultados. Nós outros jornalistas, criticos, artistas, homens de estudo
e de curiosidade litteraria, julgamos quasi impossivel que haja alguem
na Europa que não tenha lido Victor Hugo, ou que, pelo menos, não
conheça esse nome de syllabas faceis, que ha meio seculo fere, a grande
estrondo, o ouvido humano; pois bem, póde-se dizer que fóra de França
apenas cinco mil pessoas talvez terão lido Victor Hugo--e que não
passará decerto de dez mil o numero de creaturas que lhe saibam o nome,
incluindo mesmo a vasta massa democratica de que elle é o epico
official. E já isto constitue um famoso progresso--desde o tempo em que
Voltaire ambicionava ter _cem leitores_!
A conhecida alegoria da fama, cantando o nome d'um varão com as suas cem
bocas, applicadas ás suas cem tubas, e voando de um a outro confim do
universo--é uma das imagens mais descaradamente falsas que nos legou a
Antiguidade. Esse estrondear das cem tubas morre como um suspiro dentro
da área humilde d'um corrilho ou d'uma _coterie_: e nada viaja com uma
lentidão egual á da Fama. Um fardo de fazendas gasta quatro dias a vir
de Londres a Lisboa--e os nomes de Tennyson, Browning, Swinburne, os
tres grandes poetas da Inglaterra, e que ha quarenta annos são a sua
mais pura gloria, ainda cá não chegaram. É verdade que todo o mundo
necessita flanellas--e nem todo o mundo supporta poesia.
Mas uma celebridade não encontra só difficuldades em transpôr a
fronteira--acha-as sobretudo e quasi insuperaveis em fixar a atenção da
grande turba dos seus concidadãos. Principalmente n'um paiz como a
Inglaterra, em que a aspera lucta pela existencia, a soffrega
preoccupação do pão diario, o feroz conflicto da concorrencia, não
permitem esses pachorrentos vagares, os vagares portuguezes ou
hespanhóes, em que se está de barriga ao sol, prompto a olhar, a admirar
o menor foguete que estala nos ares.
Em Inglaterra, o duque de Wellington era de certo popular--porque ganhou
a batalha de Waterloo, e portanto, segundo a crença contemporanea,
salvára a Inglaterra da invasão. Gladstone é conhecido em cem cidades e
mil aldeias, porque alliviou a nação dos seus grandes impostos. Mas
estes fórmam as excepções; as outras celebridades inglesas, ou sejam
politicos como Lord Salisbury, ou philosophos como Spencer, ou poetas
como Browning, ou artistas como Herkomer--permanecem profundamente
ignorados da grande massa do publico. São reputações de salão, de
academia, de club, de redacção de jornal.
Ora, Lord Beaconsfield realmente nunca fez coisa alguma para se tornar
popular e sempre lembrado; nunca ligou o seu nome a uma grande
instituição, a um grande beneficio publico, a uma campanha victoriosa.
Tudo, ao contrario, n'esta original personalidade parecia destinal-o á
impopularidade: a sua origem, os seus gestos e habitos anti-inglezes, a
sua poderosa veia sarcastica, a sua oratoria requintada e subtil, o
gongorismo metaphysico das suas concepções litterarias, e certos lados
muito accentuados do seu fundo semitico. E a isto accrescia que, para a
grande maioria da nação, elle representava um _parvenu_ de auctoridade
oligarchica, surdamente hostil á ideia de democracia e de soberania
popular.
A sua assombrosa popularidade parece-me provir de duas causas: a
primeira é a sua idéa (que inspirou toda a sua politica), de que a
Inglaterra deveria ser a potencia dominante do mundo, uma especie de
Imperio Romano, alargando constantemente as suas colonias, apossando-se
dos continentes barbaros e _britannizando-os_, reinando em todos os
mercados, decidindo com o peso da sua espada a paz ou a guerra do mundo,
impondo as suas instituições, a sua lingua, as suas maneiras, a sua
arte, tendo por sonho um orbe terraqueo que fôsse todo elle um imperio
Britannico, rolando em rythmo atravez dos espaços.
Este ideal, que tomou o nome de _imperialismo_ nos dias de gloria de
Lord Beaconsfield, é uma idéa querida a todo o inglez; os mesmos jornaes
liberais que com tanto furor denunciavam os perigos d'esta politica
romana, no fundo gozavam uma immensa satisfação de orgulho em
proclamarem a sua inconveniencia. Havia tanta prosapia britannica em
conceber um tal Imperio, como em o condemnar, e em dizer, com um ar de
nobre renunciamento: «Não nos convém a responsabilidade de governar o
mundo!»
Lord Beaconsfield, sendo a encarnação official d'esta idéa imperial,
tornou-se naturalmente tão popular como ella. Foi considerado então como
o instrumento da grandeza exterior da Inglaterra, como o homem que a
fazia dominante e temida, que mantinha alta e reluzindo terrivelmente
aos olhos do mundo a espada de John Bull. Gladstone, Bright, a grande
escola liberal, conhecida pela _escola de Manchester_, era agora
accusada de ter, com a sua politica de abstenção só occupada de
melhoramentos materiaes, de finanças, de civilização interna--deixado
definhar, morrer o prestigio inglez na Europa.
E ai vinha agora aquele extraordinario judeu, apoiado na riqueza, na
prosperidade interior que lhe tinham legado os liberaes, collocar de
novo a Inglaterra á frente das nações, fazendo ressoar ao longe e ao
largo a sua voz de leão...
Todo o paiz andou durante annos inchado com esta grandiosa filaucia, que
Lord Beaconsfield ia sempre entretendo com os seus discursos bellicosos,
as ameaças theatraes, as concentrações de frotas, um constante movimento
de regimentos, invasões aqui e além, a occupação de Chypre, a quasi
absorpção da propriedade do isthmo de Suez, sempre algum lance brilhante
em que a Inglaterra apparecia entre os fogos de Bengala da sua
eloquencia, como a senhora do mundo. E John Bull adorava isto, apesar de
vêr que a espada da Inglaterra, depois de flammejar um momento nos ares,
era invariavelmente recolhida á bainha; apesar de comprehender que o
dinheiro se gastava como a agua das fontes; apesar de sentir que os
impostos cresciam; apesar de perceber que a Inglaterra estava tomando
sobre os hombros responsabilidades desproporcionadas com a sua força.
Depois, um dia, o grande senso pratico da Inglaterra viu claramente a
necessidade de brilhar menos aos olhos do mundo--e de se occupar da
machina interior, que começava a desarranjar-se: pôz fóra o grandioso
Beaconsfield, e chamou o pratico Gladstone--o homem que reconstitue as
finanças, que allivia os impostos, que faz as grandes reformas
interiores... Mas, apesar de tudo, Beaconsfield ficou como o typo do
estadista que mais que nenhum outro amou e desejou a grandeza imperial
da patria.
A esta causa de popularidade deve juntar-se outra--a _reclame_. Nunca um
estadista teve uma _reclame_ igual, tão continua, em tão vastas
proporções, tão habil. Os maiores jornaes de Inglaterra, da Allemanha,
da Austria, mesmo da França, estão (ninguem o ignora) nas mãos dos
israelitas. Ora o mundo judaico nunca cessou de considerar Lord
Beaconsfield como um judeu--apesar das gotas d'agua christã que lhe
tinham molhado a cabeça. Este incidente insignificante nunca impediu
Lord Beaconsfield de celebrar nas suas obras, de impôr pela sua
personalidade a superioridade da raça judaica,--e por outro lado nunca
obstou a que o judaismo europeu lhe prestasse absolutamente o tremendo
apoio do seu ouro, da sua intriga e da sua publicidade. Em novo, é o
dinheiro judeu que lhe paga as suas dividas; depois é a influencia
judaica que lhe dá a sua primeira cadeira no parlamento; é a ascendencia
judaica que consagra o exito do seu primeiro ministerio; é emfim a
imprensa nas mãos dos judeus, é o telegrafo nas mãos dos judeus, que
constantemente o celebraram, o glorificaram como estadista, como orador,
como escriptor, como heroe, como genio!
Como romancista, Lord Beaconsfield nunca escreveu propriamente um
romance tal como nós modernamente o comprehendemos. Alguns dos seus
romances são pamphletos em que os personagens constituem argumentos
vivos, triumphando ou succumbindo, não segundo a logica dos
temperamentos e as influencias do meio, mas segundo as necessidades da
controversia ou da these. Outros fórmam verdadeiras allegorias como as
tem a pintura decorativa nas muralhas dos monumentos publicos. N'um dos
mais celebres, _Lothair_, ha um mancebo ideal, encarnação do espirito
inglez, que ama successivamente tres mulheres: uma italiana casada com
um americano, bella creatura de perfil classico e fórmas de Deusa, que
representa a Democracia; uma ardente rapariga de cabellos negros e
revoltos, sempre em extasi, que é a personificação da Egreja Catholica;
e emfim uma doce e loura donzella, séria, grave e terna, que symboliza o
Protestantismo. Depois d'hesitar entre estas tres paixões--decide-se,
como um bom inglez, por casar com o Protestantismo, quero dizer, com a
loura, conservando um culto vago e secreto pela Democracia, quero dizer,
pela soberba americana de perfil marmoreo. Moral: a felicidade d'um povo
está na posse d'uma forte moral christã, alliada a um uso moderado da
liberdade. Isto dava um excelente e apparatoso _fresco_ na sala d'um
parlamento. E Lord Beaconsfield accentua os detalhes allegoricos com uma
tal ingenuidade, que faz por vezes sorrir; assim, por exemplo, a
americana, isto é, a Democracia, apparece sempre em _soirées_ e festas
vestida á grega, com uma estrella de brilhantes na fronte, como a cabeça
da _republica_ nas moedas francezas de cinco francos!
O meio, em que os seus romances se passam, tem quasi sempre um ar
feerico: tudo são, como disse ha pouco, palacios d'um fabuloso e sombrio
luxo, festas como as não tiveram os Medicis, fortunas de banqueiros, de
duques, perante as quaes os Cresus, os Monte-Christos, os Rothchilds,
todos os ricaços da lenda ou da realidade apparecem como despreziveis
pelintras.
A linguagem d'estes personagens corresponde ao esplendor das suas
moradas e ao nebuloso dos seus destinos. _Misses_ de dezoito annos,
habitando prosaicamente Belgrave Square, fallam aos seus namorados com a
pompa allegorica do _Cantico dos Canticos_; e quando (o que é frequente)
dois brilhantes espiritos como Sidonia ou Mrs. Coningsby conversam,
veem-se, cruzando rapidamente d'um a outro labio, as imagens rutilantes,
os luminosos conceitos, como se as duas creaturas se estivessem
recitando um ao outro numeros do _Intermezzo_ ou sonetos de Petrarcha.
Esta linguagem, de resto, convem ás idéas, aos sentimentos, ás aventuras
que elle atribue aos seus typos principaes; tudo o que é humano e real
fica absolutamente de fóra d'essas transcendentes creações: fallando
como poetas, comportam-se naturalmente como chimeras.
O seu mais famoso heroe, Tancredo, vae a Jerusalém e á Syria com este
fim: _penetrar o mysterio asiatico_. Não percebem? É facil. Sendo
Jerusalém e as planicies da Syria o unico ponto do Universo em que Deus,
em tempos, conversou com o homem, em que appareceram os prophetas e os
Messias, em que das sarças, do murmurio dos rios e do echo dos desertos
surgiram as Leis Novas, dando á humanidade destinos novos--o moço
Tancredo parte, para que lá, n'esses logares, Deus lhe falle, um raio de
luz o divinize, uma religião lhe seja revelada, e tendo partido de
Londres como simples lord, possa regressar a Regent Street, como Messias
e regenerador de sociedades!
E (perguntar-me-hão) o que succede a Tancredo na Syria? O que succede a
todos os personagens de Lord Beaconsfield, que nas primeiras paginas
partem para sobrehumanos destinos, como os antigos cavalleiros da Tavola
Redonda: succede-lhe que casa com uma linda e honesta menina, e que tem
muitos filhos no meio de muita felicidade...
E o _mysterio asiatico_? Parece que o não achou. Mas descobriu coisas
curiosas e de rara fabula: por exemplo, um povo pagão, onde reina uma
bella sacerdotisa de Apollo, que celebra ainda hoje nobres cultos
hellenicos, e que se namora de Tancredo. Mas Tancredo, cavalleiro
christão, depois de a defender da invasão d'um outro povo, que adora
idolos infames, foge, foge á desfilada, deixando a classica rainha a
gemer de amor aos pés da estatua d'Astarte. Depois elle mesmo está para
ser rei do Libano. Emfim, uma grandiosa e rutilante salsada. E tudo isto
se passa ahi por 1855, no tempo da Exposição de Paris.
Mas que prodigioso talento, que arte, que amplidão d'imaginação para pôr
de pé, em todo o seu brilho, este desordenado monumento d'Idealismo!
Com effeito, que artista fino e por vezes poderoso!
Apesar d'este abuso do gongorismo na ficção, do vago e ao mesmo tempo do
amaneirado das suas concepções, d'estes enredos e d'estes personagens
que por vezes parecem uma mystificação--os seus romances nunca deixam
d'interessar, direi mesmo, nunca deixam de captivar. Atravessa-os sempre
um enthusiasmo sincero--em que se sente o amor poetico com que elle
segue os seus generosos heroes, as suas bellas mulheres, n'esses
destinos fóra da realidade. Depois a sua fina sensibilidade, o seu
idealismo um pouco convencional, mas de grande _elan_, os requintes d'um
gosto supremo--levam-no a dotar os seus personagens, e a acção em que
elles se movem, de uma tal belleza espiritual, de uma tão alta nobreza
de costumes, que os olhos enlevam-se, a imaginação namora-se d'esse
mundo ficticio, d'essa humanidade de poema, onde nada existe de vulgar
ou de baixo, e onde brilham fórmas maravilhosas e transcendentes do
pensar, do sentir e do viver.
Isto dá-lhe uma qualidade encantadora: é _luminoso_. Personagens,
paizagens, interiores, o proprio movimento da aventura--tudo está
banhado n'uma luz serena e graciosa. Pintando as cousas fóra da verdade
social, não tendo de lhe apresentar as sombras tristes, exclue dos seus
vastos quadros tudo o que na vida é duro, brutal, feio, máu,
estupido--as fórmas varias da baixeza humana.
Escrevia para uma sociedade rica, nobre, litteraria, requintada--e
mostra-lhe um mundo d'ouro e crystal, girando n'uma bella harmonia,
batido de uma luz côr de rosa...
Tenho insistido n'este lado _não real_ dos livros de Lord Beaconsfield.
Todavia, um homem d'estes, antigo _dandy_, critico, estadista, habituado
a governar, observador por necessidade, não podia deixar de ter
accumulado uma grande experiencia dos caracteres e da sociedade; e essa
experiencia deveria necessariamente transparecer nas suas pinturas da
vida. E lá está com effeito. Por entre as suas grandes creações
symbolicas, de indisciplinada imaginação (_Tancredo_, _Lothair_,
_Sibyl_) move-se todo um mundo real, de uma vida exacta e forte, figuras
de carne, postas de pé com um singular vigor de desenho e côr. São os
seus personagens secundarios, os seus politicos, os seus intrigantes, os
seus homens de lettras, as suas mulheres da moda, os seus lords
elegantes. Todos estes typos fôram copiados do natural. Londres
conhecia-os, dava-lhes logo os nomes; e o escandalo d'estes retratos foi
mesmo uma das grandes causas do successo de Lord Beaconsfield. Mas,
mesmo para quem não frequenta a sociedade de Londres, e não conhece os
originaes, estes typos interessam--porque _vivem_.
Ordinariamente são apenas esboços, mas magistraes; e apparecendo assim
em destaque, ao lado de creações de pura imaginação, descomedidamente
poeticas e de contornos fluctuantes, esses typos reaes adquirem um
relevo maior, como perfis da verdadeira humanidade, mostrando-se por
entre o nebuloso de uma mythologia.
São elles os que interessam, e da vasta galeria de Lord Beaconsfield só
elles ficarão lembrados.
Seria impossivel, n'este estudo ao correr da penna, feito só de
impressões, marcar todos os traços de uma individualidade tão complexa
como a de Lord Beaconsfield.
Poucos homens têm produzido um tão curioso conflicto de apreciações:
diz-se d'elle que foi um grande homem de estado, e diz-se tambem que foi
apenas um charlatão; a critica tem-n'o apresentado como um romancista de
genio--e como um máu alinhavador de novellas! Homem de partido, soffreu
em politica e em litteratura, ora a idolatria, ora o rancor da
parcialidade partidaria. Uma coisa porém tinha a seu favor: é que todos
os mediocres o detestavam.
É difficil, de resto, separar n'elle o politico do romancista: sempre
fez politica nas obras d'arte, que se tornavam assim resoantes
manifestos das suas idéas de estadista--e fez romance no governo, que
parecia muitas vezes um _scenario de drama_, sobre o qual elle estava de
penna na mão, combinando os lances d'effeito. Seja como fôr, a
Inglaterra perdeu nele um dos seus genios mais pittorescos e mais
originaes.
Individualmente foi um _feliz_. Tendo, em novo, lançado o plano da sua
vida futura, como quem prepara um enredo de romance, realisou-o
plenamente em todos os pontos, n'um continuo triumpho. Foi formoso, foi
amado, foi rico, teve a melhor esposa de Inglaterra (como elle dizia),
deixou uma vasta obra litteraria, foi o confidente escolhido da sua
rainha, governou a sua patria, pesou nos destinos do mundo, e findou
n'uma apotheose. Foi então absolutamente, ininterrompidamente, ditoso?
Não. Este homem triumphante viveu acompanhado d'um secreto, d'um
pequenino, d'um ridiculo desgosto: nunca pôde fallar bem francez!