Communhão

(Ao snr. João Lobo de Moura)

Reprimirei meu pranto!... Considera

Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram,

Quantos as mãos incertas levantaram

Sob este mesmo céo de luz austera!...

--Luz morta! amarga a propria primavera!--

Mas seus pacientes corações luctaram,

Crentes só por instincto, e se apoiaram

Na obscura e heroica fé, que os retempera...

E sou eu mais do que elles? igual fado

Me prende á lei de ignotas multidões.--

Seguirei meu caminho confiado,

Entre esses vultos mudos, mas amigos,

Na humilde fé de obscuras gerações,

Na communhão dos nossos paes antigos.

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 125 / 130 题