Com os mortos

Os que amei, onde estão? idos, dispersos,

Arrastados no gyro dos tufões,

Levados, como em sonho, entre visões,

Na fuga, no ruir dos universos...

E eu mesmo, com os pés tambem immersos

Na corrente e á mercê dos turbilhões,

Só vejo espuma livida, em cachões,

E entre ella, aqui e ali, vultos submersos...

Mas se paro um momento, se consigo

Fechar os olhos, sinto-os a meu lado

De novo, esses que amei: vivem commigo.

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me tambem,

Juntos no antigo amor, no amor sagrado,

Na communhão ideal do eterno Bem.

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 123 / 130 题