Lacrimae rerum

(A Tommaso Cannizzaro)

Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,

Quantas vezes tenho eu interrogado

Teu verbo, teu oraculo sagrado,

Confidente e interprete da Sorte!

Aonde vão teus soes, como cohorte

De almas inquietas, que conduz o Fado?

E o homem porque vaga desolado

E em vão busca a certeza que o conforte?

Mas, na pompa de immenso funeral,

Muda, a noite, sinistra e triumphal,

Passa volvendo as horas vagarosas...

É tudo, em torno de mim, duvida e luto:

E, perdido n'um sonho immenso, escuto

O suspiro das cousas tenebrosas...

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 117 / 130 题