EVOLUÇÃO

(A Santos Valente)

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,

Tronco ou ramo na incognita floresta...

Onda, espumei, quebrando-me na aresta

Do granito, antiquissimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo

Na caverna que ensombra urze e giesta;

Ou, monstro primitivo, ergui a testa

No limoso paúl, glauco pacigo...

Hoje sou homem--e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce, em espiraes, na immensidade...

Interrogo o infinito e ás vezes chóro...

Mas, estendendo as mãos no vacuo, adoro

E aspiro unicamente á liberdade.

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 110 / 130 题