ESTOICISMO

(A Manoel Duarte de Almeida)

Tu que não crês, nem amas, nem esperas,

Espirito de eterna negação,

Teu halito gelou-me o coração

E destroçou-me da alma as primaveras...

Atravessando regiões austeras,

Cheias de noite e cava escuridão,

Como n'um sonho mau, só oiço um não,

Que eternamente ecchoa entre as espheras...

--Porque suspiras, porque te lamentas,

Cobarde coração? Debalde intentas

Oppor á Sorte a queixa do egoismo...

Deixa aos timidos, deixa aos sonhadores

A esperança van, seus vãos fulgores...

Sabe tu encarar sereno o abysmo!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 91 / 130 题