HOMO

Nenhum de vós ao certo me conhece,

Astros do espaço, ramos do arvoredo,

Nenhum adivinhou o meu segredo,

Nenhum interpretou a minha prece...

Ninguem sabe quem sou... e mais, parece

Que ha dez mil annos já, neste degredo,

Me vê passar o mar, vê-me o rochedo

E me contempla a aurora que alvorece...

Sou um parto da Terra monstruoso;

Do humus primitivo e tenebroso

Geração casual, sem pae nem mãe...

Mixto infeliz de trevas e de brilho,

Sou talvez Satanaz;--talvez um filho

Bastardo de Jehovah;--talvez ninguem!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 85 / 130 题