MAIS LUZ!

(A Guilherme de Azevedo)

Amem a noite os magros crapulosos,

E os que sonham com virgens impossiveis,

E os que inclinam, mudos e impassiveis,

Á borda dos abysmos silenciosos...

Tu, lua, com teus raios vaporosos,

Cobre-os, tapa-os e torna-os insensiveis,

Tanto aos vicios crueis e inextinguiveis,

Como aos longos cuidados dolorosos!

Eu amarei a santa madrugada,

E o meio-dia, em vida refervendo,

E a tarde rumorosa e repousada.

Viva e trabalhe em plena luz: depois,

Seja-me dado ainda ver, morrendo,

O claro sol, amigo dos heroes!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 78 / 130 题