Sepultura romantica

Ali, onde o mar quebra, n'um cachão

Rugidor e monotono, e os ventos

Erguem pelo areal os seus lamentos,

Ali se ha-de enterrar meu coração.

Queimem-no os sóes da adusta solidão

Na fornalha do estio, em dias lentos;

Depois, no inverno, os sopros violentos

Lhe revolvam em torno o arido chão...

Até que se desfaça e, já tornado

Em impalpavel pó, seja levado

Nos turbilhões que o vento levantar...

Com suas luctas, seu cançado anceio,

Seu louco amor, dissolva-se no seio

D'esse infecundo, d'esse amargo mar!

1864--1874

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 68 / 130 题