A uma mulher

Para tristezas, para dor nasceste.

Podia a sorte por-te o berço estreito

N'algum palacio e ao pé de regio leito,

Em vez d'este areal onde cresceste:

Podia abrir-te as flores--com que veste

As ricas e as felizes--n'esse peito:

Fazer-te... o que a Fortuna ha sempre feito...

Terias sempre a sorte que tiveste!

Tinhas de ser assim... Teus olhos fitos,

Que não são d'este mundo e onde eu leio

Uns mysterios tão tristes e infinitos,

Tua voz rara e esse ar vago e esquecido,

Tudo me diz a mim, e assim o creio,

Que para isto só tinhas nascido!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 66 / 130 题