IDEAL

Aquella, que eu adoro, não é feita

De lyrios nem de rosas purpurinas,

Não tem as formas languidas, divinas

Da antiga Venus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita

Compõe filtros mortaes entre ruinas,

Nem a Amazona, que se agarra ás crinas

D'um corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino

Com o nome que dê a essa visão,

Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem, que entrevejo,

Ideal, que nasceu na solidão,

Nuvem, sonho impalpavel do Desejo...

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 60 / 130 题