MÃE...

Mãe--que adormente este viver dorido,

E me vele esta noite de tal frio,

E com as mãos piedosas ate o fio

Do meu pobre existir, meio partido...

Que me leve comsigo, adormecido,

Ao passar pelo sitio mais sombrio...

Me banhe e lave a alma lá no rio

Da clara luz do seu olhar querido...

Eu dava o meu orgulho de homem--dava

Minha esteril sciencia, sem receio,

E em debil criancinha me tornava.

Descuidada, feliz, docil tambem,

Se eu podesse dormir sobre o teu seio,

Se tu fosses, querida, a minha mãe!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 54 / 130 题