A SULAMISA

Ego dormio, et cor meum vigilat. CANTICO DOS CANTICOS.

Quem anda lá por fóra, pela vinha

Na sombra do luar meio cacoberto,

Sutil nos passos e espreitando incerto,

Com brando respirar de criancinha?

Um sonho me accordou... não sei que tinha...

Pareceu-me sentil-o aqui tão perto...

Seja alta noite, seja n'um deserto,

Quem ama até em sonhos adivinha...

Môças da minha terra, ao meu amado

Correi, dizei-lhe que eu dormia agora,

Mas que póde ir contente e descançado,

Pois se tão cedo adormeci, conforme

É meu costume, olhae, dormia embora,

Porque o meu coração é que não dorme...

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 44 / 130 题