A M.C.

No céo, se existe um céo para quem chora.

Céo, para as magoas de quem soffre tanto...

Se é lá do amor o foco, puro e santo,

Chama que brilha, mas que não devora...

No céo, se uma alma n'esse espaço mora.

Que a prece escuta e encharga o nosso pranto...

Se ha Pae, que estenda sobre nós o manto

Do amor piedoso... que eu não sinto agora...

No céo, ó virgem! findarão meus males:

Hei-de lá renascer, eu que pareço

Aqui ter só nascido para dôres.

Ali, ó lyrio dos celestes valles!

Tendo seu fim, terão o seu começo.

Para não mais findar, nossos amores.

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 29 / 130 题