Romances do Conde prêso

(_Versão de Trás-os-Montes_)

Prêso vae o Conde, prêso,

Prêso vae a bom recado;

Não vae prêso por ladrão,

Nem por home’ haver matado.

Mas por violar a donzella

Que vinha de Sanctiago.

Não bastou dormir com ella,

Se não dal-a ao seu criado!

Accommetteu-a na serra,

Mui longe do povoado;

Por morta ali a deixára

Sem mais dó, sem mais cuidado.

Foi á presença do rei

Onde o Conde era levado:

«Eu te requeiro, bom rei,

Pelo Apostolo sagrado,

Que n’esta sua romeira

O fôro seja guardado.

Da lei divina é casar-se,

Da humana ser degollado;

Não ha fôro ou privilegio

Onde Deos é o aggravado.

Disse o rei aos do conselho,

Com semblante carregado:

--Sem mais detença este feito

Quero já desembargado!

--«Visto está o feito, visto,

Julgado está, bem julgado;

Ou hade casar com ella,

Ou senão... ser degollado.

--Pois que me praz, disse o rei,

O algoz seja chamado;

Ou já casar com a romeira,

Ou aqui ser degollado.

«--Venham algoz e cutello,

(Respondeu o accusado)

Antes morrerei mil vezes,

Antes que ser deshonrado!

Não me enterrem na egreja

Nem tam pouco em sagrado:

N’aquelle prado me enterrem

Onde se faz o mercado.

Cabeça me deixem fóra,

O meu cabello entrançado;

De cabeceira me ponham

A pelle do meu cavallo,

Que digam os passageiros:

Triste de ti, desgraçado!

Morreste de mal de amores,

Que é um mal desesperado!

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Romanceiro geral · 第 36 / 84 题