_Para a hora, e dia em que foi instituido_.
Queixando-se Christo Senhor nosso a alguns servos seus da grosseira
ingratidão, com que os mortaes se esquecem do extremoso amor, com que se
deixou ficar comnosco no Divino Sacramento, soffrendo em todos os
seculos tantos desacatos, e irreverencias, só por estar, e assistir
comnosco; porque a sua delicia foi sempre a companhia dos homens:
_Deliciae meoe esse cum filiis hominum_: costumão algumas almas devotas,
e amantes deste Senhor, desaggravá-lo no modo possivel, fazendo memoria
do dia, e hora, em que o Senhor instituio este admiravel Sacramento, e
deste modo tributão ao Senhor todos os obsequios, que lhes ministra a
sua devoção, se não os devidos áquella Suprema Magestade, ao menos os
que cabem na nossa humilde, e curta capacidade:
(Expõem-se aqui alguns para quem quizer seguir estes devotos corações, e
participar dos merecimentos, e orações de tantas almas, que fazem este
exercicio, e rogão por todos aquelles, que nelle ás acompanhão.)
(O dia da Instituição do Divino Sacramento foi (como referem os
Evangelistas[*]) na vespera da Morte do Senhor, e na sentença de muitos
Padres, foi a quinta feira 24 de Março. A hora, a das oito para as nove
da noite, conforme a commum opinião de muitos Authores.
Esta pois, se for possivel, ou outra qualquer que for mais commoda,
gastará o Fiel em orações vocaes, ou mentaes, prostrado com a mais
profunda humildade na presença d'este amante Senhor, e chegando á sua
presença, fará uma profunda adoração, convidando ao Anjo da sua guarda,
e aos mais, que alli assistem, para que adorem ao mesmo Senhor, e o
ajudem nesta Devoção.
_Depois de um fervoroso Acto de Contrição, dirá_: