Alma minha, que fazes? Não percas este tempo precioso, em que pódes
receber todas as graças que pedires. Não vês ao Eterno Pae, que está
amorosamente olhando, e vendo dentro de ti o seu amado Filho, o objecto
em que mais se compraz o seu amor? Ah! Lança fóra de ti todos os
pensamentos mundanos, aviva a tua fé, dilata o teu coração, pede quanto
quizeres.
Não sentes ao mesmo Juiz, que te diz: Alma, dize o que queres de mim. Eu
vim para te enriquecer, e para te contentar: pede com confiança, e
alcançarás quanto pedires.
Ah, meu dulcissimo Salvador! Já que viestes á minha alma para me
communicardes as vossas graças, e desejais que eu vo-las peça, eu não
busco, Senhor, os bens da terra, não as riquezas, não as honras, não os
contentamentos do mundo: o que humildemente vos peço agora é uma grande
dôr dos meus peccados; uma luz, que me faça conhecer á validade deste
mundo, e o merecimento, que vós tendes para ser infinitamente amado.
Trocai este meu coração em tudo conforme à vossa santissima vontade; um
coração, que não busque mais que o vosso agrado, que não aspire mais que
ao vosso santo amor. Eu não mereço isto, mas vós o mereceis, ó meu amado
Jesus. Eu vo-lo peço pelos vossos merecimentos, e da vossa purissima Mãe
e pelo amor que tendes a vosso Eterno Pae.
_Aqui poderá pedir qualquer outra graça particular para si, e para o
proximo_. _Não se esqueça dos peccadores, e das almas do Purgatorio, e
rogue tambem por mim_.