És tu, alma minha, que vás a receber o sagrado Corpo de Jesu Christo? E
és tu digna de tão alto fervor? Ah! Deus meu! Quem sou eu, e quem sois
vós? Eu bem sei, e confesso, que vós sois um Deus de Magestade infinita,
e inconprehensivel, e quem eu sou, vós o sabeis, Senhor.
E é possivel, meu Jesus, que vós, pureza infinita, desejeis entrar em
uma alma tão impura como a minha, e que tantas vezes tem sido manchada
com o lodo vil dos meus enormes peccados! Ah! Senhor, á vista da vossa
infinita Magestade, e da minha grande miseria, eu me envergonho de
apparecer diante de vós. O temor, e o respeito me querem separar de vós,
mas, se me retiro de vós, aonde irei? A quem hei de recorrer? E que será
de mim? Não, Senhor, eu não quero ausentar-me de vós, antes desejo cada
vez mais avizinhar-me a vós. Venho pois, ó meu amavel Salvador, venho a
receber-vos esta manhã humilhado, e confuso pelos meus peccados; mas
todo confiado na vossa piedade, e no amor, que vós me tendes.