_Eu estou á porta e bato_. (_Apoc. 3._) Oh Pastor amantissimo, que por
amor de vossas ovelhas, não satisfeito de morrerdes uma vez sobre o
altar da Cruz, quizestes ficar nesse Divino Sacramento sobre os altares
nas nossas Igrejas até á consummação dos seculos, para estardes sempre
visinho a nós! Ah! se eu soubesse gozar da vossa amavel companhia, como
a vossa Esposa Santa, a qual dizia: _Eu me sentei á sombra daquelle, a
quem muito havia desejado_. (_Cant. 2._) Ah, se eu vos amasse devéras,
meu amabilissimo Sacramento; então sim, que eu desejaria efficazmente
estar dias e noutes inteiras ao pé de uma Custodia; e descançando ahi
visinho á vossa Divina Magestade, ainda que encoberta com a apparente
sombra da sagrada especie, eu encontraria aquellas delicias Divinas, e
aquelles contentamentos, que ahi achão essas almas, que verdadeiramente
vos amão. Ah, Senhor, attrahi-me vós com as suavidades da vossa
formosura, e com aquelle immenso amor, que me mostrais nesse Sacramento.
Sim, meu Salvador, que então deixarei as creaturas, e todos os prazeres
do mundo, e correrei apressadamente para vós Sacramentado. Oh que fructo
de santas virtudes dão a Deus aquellas almas felizes, que assistem com
amor ao meu Senhor Sacramentado! Mas eu me envergonho de apparecer assim
despido, e vazio de virtudes, diante de vós, meu Jesus. Vós tendes
ordenado que aquelles que vem ao altar a honrar-vos, e não venhão sem
vos offerecer algum donativo: _Não apparecerás na minha presença sem
offerta_. (_Ex. 23._) Pois que hei de fazer? Não vir mais a visitar-vos?
Ah, Senhor, eu sei que não é isto o que vos agrada. Virei pobre qual
sou, e vós me provereis daquelles mesmos dons, que de mim quereis. Eu
vejo que para este fim ficastes nesse Divino Sacramento, não só para
premiardes os vossos amantes, mas tambem para intercederdes ao vosso
Eterno Pae pelos peccadores, e para proverdes de bens os pobres.
Eia pois, Senhor, começai hoje comigo: ouvi, compadecei-vos, consolai.
esta pobre, e miseravel creatura. Eu vos adoro, ó Rei do meu coração, ó
verdadeiro amante dos homens, ó Pastor excessivamente namorado das
vossas ovelhas, a esse throno do vosso amor venho eu hoje; e não tendo
outra cousa que vos offereça, vos apresento o meu miseravel coração,
para que fique todo consagrado ao vosso amor, e ao vosso beneplacito.
Com este coração eu posso amar-vos, com este eu vos quero amar quanto
posso. Purificai-o, Senhor, e fique elle todo preso da vossa santissima
vontade: uni-me todo comvosco, e fazei-me esquecer até de mim mesmo, de
sorte que o meu maior cuidado ponha eu em servir-vos, e amar-vos.
Amo-vos, meu Senhor Sacramentado, com todo o meu coração, com toda a
minha vida, com toda a minha alma.