_Ahi terei postos os meus olhos, e o meu coração todos os dias_. (3.
_Reg. 9._) Ouve, ó alma, esta bella promessa, que te faz Jesus no
Sacramento do altar, onde se deixou ficar comnosco de dia e de noite.
Ah, meu Senhor,! Não bastava que ficasseis nesse Sacramento só de dia,
em que podieis ter adoradores da vossa presença, que vos fizessem
companhia, mas também quizestes ficar de noite, em que os homens fechão
as Igrejas, e se retirão a suas casas, deixando-vos só? Já vos entendo;
o amor, que nos tinheis, não consentio que nos deixasseis um só
instante. Ah, meu amabilissimo Salvador! Só esta fineza do vosso amor
deveria obrigar a todos os homens a assistir-vos sempre nos sagrados
Templos, ate os constrangerem a retirar-se; e ausentando-se, devião
todos deixar ahi os seus corações, e os seus affectos; aquelles affectos
tão justamente merecidos de hum Deus humanado que fica fechado no
Tabernaculo, sempre prompto para vêr, e remediar as nossas necessidades,
esperando, para assim o dizer, que as almas suas amantes o vão visitar.
Sim, meu Jesus, eu vos quero contentar, eu vos consagro toda a minha
vontade, e todos os meus affectos. Ó Magestade infinita de hum Deus, vós
vos deixastes ficar nesse Divino Sacramento, não só para estardes
presente a nós, mas principalmente para vos communicardes ás almas
vossas escolhidas. Porém, Senhor quem se atreverá a avisinhar-se á vossa
Meza, e alimentar-se da vossa carne? Mas quem pelo contrario poderá
separar-se de vós! Vós a este fim vos escondeis debaixo das especies
sacramentaes, para entrardes dentro de nós, e para possuirdes os nossos
corações: vós desejaes que nós vos recebamos, e gostais de estardes
unido comnosco. Vinde pois, meu Jesus, vinde: eu desejo receber-vos
dentro de mim, para que sejais o Deus do meu coração, e da minha
vontade. Quanto é da minha parte, meu amado Redemptor, cedão ao vosso
amor satisfações, contentamentos, vontade, propria, tudo, tudo vos ceda.
Ó amor, ó Deus de amor, reinai, triumfai de mim todo; destruí, e
sacrificai em mim tudo aquillo, que é meu, e não é vosso: não
permittais, amor meu, que a minha alma, cheia da magestade de hum Deus,
depois de vos ter recebido na Sagrada Communhão, haja de prender-se ás
creaturas. Amo-vos, Deus meu, amo-vos, e sempre vos quero amar.