Ah! meu Deus, meu Rei, meu Senhor! Quem me dera que todos os meus
membros se convertessem em linguas para louvar, e engrandecer as finezas
e os excessos de bondade nesse Divino Sacramento, onde continuamente
estais prompto para ouvir, e para consolar esta indigna creatura vossa:
eu me attrevo a dizer, Senhor, que sois excessivamente amante dos
homens, porque lhes déstes tudo quanto lhes podieis dar nesse
Sacramento, para que elles vos amassem. Ah! meu amabilissimo Jesus,
Dai-nos um amor grande, um amor forte, para vos amar, pois não é razão
que amemos com tibieza a um Deus, que nos ama com tanta efficacia.
Attrahi-nos a vós com os doces attractivos do vosso amor.
Ó Magestade, e Bondade infinita! Vós amais tanto os homens; vós tendes
obrado tantas finezas para serdes amado dos homens; e é possivel que
entre os homens haja tão poucos que vos amem! Eu já não quero, ser (como
tenho sido) do numero desses ingratos: eu estou resoluto a amar-vos
quanto posso, e a não amar outro objecto mais que a vós: vós assim o
mandais; vós assim o mereceis; quero contentar-vos. Fazei, ó Deus da
minha alma, que eu vos agrade: eu assim o espero, e vo-lo peço pelos
merecimentos da vossa Paixão Sagrada. Os bens da terra dai-os a quem os
deseja, se quereis, eu só o que quero e o que busco é o grande thesouro
do vosso amor: amo-vos, meu Jesus, Bondade infinita: vós sois toda a
minha riqueza, todo o meu contentamento, todo o meu amor.