XII

Ó machinas febris! eu sinto a cada passo,

Nos silvos que soltaes, aquelle canto immenso,

Que a nova geração nos labios traz suspenso

Como a estancia viril d'uma epopea d'aço!

Emquanto o velho mundo arfando de cansaço

Prostrado cae na luta; em fumo negro e denso

Levanta-se a espiral d'esse moderno incenso

Que offusca os deuses vãos, anuviando o espaço!

Vós sois as creações fulgentes, fabulosas,

Que, vibrantes, crueis, de lavas sequiosas,

Mordeis o pedestal da velha Magestade!

E as grandes combustões que sempre vos consomem

Começam, n'um cadinho, a refundir o homem

Fazendo resurgir mais larga a Humanidade!

A Alma Nova · 第 31 / 89 题