D. (_erguendo-se_)--Senhora baroneza!

B. (_sentando-se a convite de Dolores_)--Eu espero que a justiça da

minha causa me absolverá da ousadia da visita.

D. (_para a frisa do lado direito_)--Que quererá ella? Não sei que me

adivinha o coração!

B.--Ha realmente assumptos tão melindrosos, que eu não sei se deva...

D.--Minha senhora!

B.--Peço toda a sua benevolencia para a justa defensa dos direitos de

minha cunhada...

D.--Mas...

B.--Sim, eu sei que ama delirantemente meu irmão, que o verdadeiro amor

é cego para todas as conveniencias sociaes, mas é ao coração doente que

eu venho trazer o cauterio da piedade. Lembre-se, Dolores, de que meu

irmão é casado com uma senhora nova e extremosa, e pae de cinco filhos.

D.--Mas... eu queria dizer a v. ex.ª que não amo seu irmão.

B. (_admirada_)--Como!

D.--Que o não amo.

B.--Pois será possivel! Meu irmão suppõe-n'o, acredita-o, jural-o-ia.

D.--Eu creio que o snr. Raymundo Savedra é facil em acreditar tudo: o

espirito simples é, por via de regra, credulo. Agora lhe pedi eu um

collar de preço fabuloso para vêr se conseguia que o sacrificio lhe

fosse lição.

B. (_áparte_)--Piedosa lição! Esta mulher! (_para Dolores_)--Muito bem!

Está, pois, concluida a minha missão. Saio d'aqui com a felicidade na

alma, e creia que jámais me esquecerei da nobre franqueza que encontrei

nas suas palavras (_comprimentando_).

Entre o caffé e o cognac · 第 38 / 64 题