Guiando-nos pelas nossas participações anteriores, que aconselhão a
marcha das forças do Coxim nos primeiros dias de Maio, requisitámos a 6
do corrente 12 guardas nacionaes e indios para irem construir barcos
para a passagem da expedição.
Com difficuldade, apezar das ordens do tenente coronel commandante,
estão-se reunindo as praças pedidas, faltando completamente toda a
especie de ferramenta. Estes homens, como melhores trabalhadores, são os
que preparão a maior quantidade de mantimentos para a força, não se
achando ainda terminada a colheita de milho e arroz, e sobretudo não tem
meio algum de conduzir viveres que cheguem para alimentação, durante o
mez necessario de parada n'um local totalmente falto de recursos como é
o rio Negro. Apezar de tudo vamos tratar de apressar a remessa d'estes
guardas, requisitando mais 12, á vista das instrucções que nos mandão
preparar meios de passagem nos differentes rios, para o trabalho que
temos de fazer nas canôas que servirão no Aquidauana.
Para este ultimo rio deverão subir as canôas do tenente coronel
Albuquerque, do seu acampamento no rio Negro, ficando nós aqui para
mandarmos preparar, com uma serra e um machado, taboas e barrotes que
formarão as barcas na occasião da approximação da força, pois que
qualquer trabalho precipitado póde ser inutilisado pelo inimigo, o qual
parece ultimamente vigiar mais cuidadosamente as margens do rio.
Força maior nos impede de acompanhar os homens que vão ao rio Negro:
levarão para dirigil-os um official carpinteiro habilitado na factura
das canôas. Para guia das forças até o Aquidauana recommendamos denovo o
pratico Antonio Maria Tonhá, homem utilissimo por conhecer perfeitamente
os caminhos e campos por onde se possão abreviar as marchas e saber dos
lugares onde existão boas aguadas.
Para Miranda e Nioac há n'esta localidade muitas pessoas proprias para
servirem de guia.