FORÇA INIMIGA

Interrogando diversas pessoas e indios, que têm, desde Janeiro até fins

de Fevereiro, visitado os lugares ainda occupados por forças, colhemos

as seguintes informações:

Na fazenda do Souza 50 a 150 homens

No Espenidio 200 »

Na Forquilha 100 »

Em Nioac 360 »

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Ao todo 810 »

No porto do Souza existe um entrincheiramento a menos de meia legoa do

rio, e entre estes dous pontos uma guarda rendida diariamente, que serve

para vigiar o Aquidauana. N'este entrincheiramento houve ultimamente

augmento de força, pois que ouvem-se agora rufos de tambores e toques de

corneta, o que não acontecia até fins de Janeiro: ha uma peça de

artilharia para defendel-o e uma palissada de grossos madeiros de

aroeira. Iremos com as precauções precisas visitar estes pontos,

communicando logo o que tivermos observado.

A Forquilha e o Espenidio achão-se no caminho de Nioac á villa de

Miranda. Este ultimo ponto está presentemente abandonado, todas as casas

forão queimadas e não ha mais guarnição. É informação de André José dos

Santos, que nos ultimos dias de Janeiro, com 6 companheiros foi

reconhecer o inimigo, voltando no dia 4 de Fevereiro.

A Nioac chegou, a 3 de Fevereiro, Agostinho Joaquim Coelho, assistindo,

de uma mata proxima, ao exercicio de um batalhão de infantaria pesada,

formado em 6 pelotões de 30 filas pouco mais ou menos. A gente que se

acha na fazenda do Souza é aguerrida e regular, o resto dizem constar de

soldados ainda bisonhos. A cavalhada, de que elles dispõem, é boa, como

vimos por alguns cavallos roubados pelos indios.

Usa a infantaria de espingardas á Minié de 1,000 passos, e a cavallaria

de lanças que manejão com muita destreza, de clavinas e espadas. Nas

cartuxeiras trazem os soldados 80 cartuxos: os indios afianção que são

máos atiradores, fazendo comtudo justiça completa á coragem e valor

nunca desmentidos do inimigo.

Os paraguayos desde Maio do anno passado não fizerão mais correrias na

margem direita do Aquidauana; provêem-se de gado, abundantissimo no

outro lado, e considerão o rio divisa do territorio brasileiro.

Existe uma estrada, chamada do Canastrão, pela qual, de Dourados, onde

ha força, e da fronteira podem vir soccorros para coadjuvarem os

contingentes espalhados no districto de Miranda.

Esperão-se aqui cartas de um fazendeiro de Nioac, preso dos paraguayos,

que foi visitado pelo indio laiana Joaquim da Silva em Fevereiro, o qual

dá noticia de mais destacamentos na Ariranha e no Esbarrancado, a 8

legoas além de Nioac.

Suppõe-se que os destacamentos no Souza e Espenidio têem ordem para

concentrar-se, com o apparecimento de nossas forças, em Nioac, afim de,

attrahindo-as até este ponto, poder ser cortada a nossa retaguarda pelo

caminho do Canastrão, que vem do Paraguay a Miranda.

Scenas de viagem Exploração entre os rios Taquary e Aquidauana no districto de Miranda : memoria descriptiva · 第 47 / 64 题