N.º 7

«_Cidade de Goyanna._--Consta que nos dias 1 e 2 do corrente fôra

distribuido na cidade de Goyanna um manifesto chamando os goyannenses ás

armas, para expellirem os subditos portuguezes alli domiciliados.»

(Redacção do _Jornal do Recife_.)

.........................................................................

«É assombroso o caracter de que se revestem os negocios da Goyanna

contra os portuguezes ali estabelecidos. Já não é o cacête, nem o

punhal, nem o chumbo, nem a garrafa as armas d'estes reis que tentam,

procurando por este motivo, saquear os seus estabelecimentos, são ainda

mais incendiarios, incendiarios sim, porque assim o fizeram no

estabelecimento do portuguez Antonio Garcia, trazendo d'este modo a

perturbação e a confusão ao seio das familias.

«Tudo annuncia funestas consequencias e estes brazileiros, vis algozes

da honra e esbanjadores da fortuna alheia, nem ao menos respeitam as

suas patricias, a quem esses portuguezes juraram perante o altar de Deus

ser seus esposos, nem aos filhos d'estes, brazileiros legitimos,

querendo fazer de seus esposos e paes, victimas da mais horrenda

atrocidade.

«Em breve armarão na praça publica o patibulo para onde, se o governo

não der promptamente energicas providencias, têem de subir os pacatos

portuguezes ali residentes, tornando-se isto delicias para os seus

inimigos.

«E o governo dirá, por mais que tenha sabido: Não tive noticias.

«Ha bem pouco, foram pronunciados os auctores de taes attentados e estes

mesmos que se acham foragidos cruzam as ruas ao meio dia em ponto,

porque assim o governo quer.

«O proprio jornal _Democrata_, que d'antes defendia a causa portugueza,

hoje á imposição de homens a quem o povo considera como chefes d'estes

motins, se converteu em pasquim, para, dilacerando as vestes da deusa de

Guttemberg, injuriar aos portuguezes.

«Mizeria do Brazil! O aprecie o paíz estrangeiro.

«Hoje chega-nos a noticia de que nos dias 1 e 2 d'este mez soltaram

fogo; distribuiram um manifesto, chamando os goyannenses ás armas para

expellir os portuguezes, querendo repetir as barbaras scenas de 1872.

«Triste estado!

«Por ora ficaremos por aqui.»

_Um amigo da familia._

(No mesmo numero do _Jornal do Recife_.)

Portugal e Brazil: emigração e colonisação · 第 134 / 176 题