SONETO.

Não lamentes, Alcino, o teu estado,

Corno tem sido muita gente boa;

Cornissimos fidalgos tem Lisboa,

Milhões de vezes cornos tem reinado:

Sicheu foi corno, e corno de um soldado;

Marco Antonio por corno perde a c'rôa;

Amphitrião com toda a sua prôa

Na Fabula não passa por honrado:

Um rei Fernando foi cabrão famoso

(Segundo a antiga lettra da gazeta)

E entre mil cornos expirou vaidoso:

Tudo no mundo é subjeito á greta:

Não fiques mais, Alcino, duvidoso

Que isto de ser corno é tudo peta.

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 178 / 208 题