XXXIV

Não te crimino a ti, plebe insensata,

A van superstição não te crimino;

Foi natural, que o frade era ladino,

E experta em macaquices a beata:

Só crimino esse heróe de bola chata,

Que na eschola de Marte inda é menino,

E ao falso pastor, pastor sem tino,

Que tão mal das ovelhas cura, e tracta:

Item, crimino o respeitavel Cunha,

Que a frias petas credito não dera,

A ser philosopho, como se suppunha:

Coitado! Protestou com voz sincera

Fazer geral, contricta caramunha,

Porém ficou peor que d'antes era!

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 129 / 208 题