IX

Arreitada donzella em fofo leito

Deixando erguer a virginal camisa,

Sobre as roliças coxas se divisa

Entre sombras subtís pachocho estreito:

De louro pello um circulo imperfeito

Os papudos beicinhos lhe matiza;

E a branda crica, nacarada e liza,

Em pingos vérte alvo liquor desfeito:

A voraz porra as guelras encrespando

Arruma a focinheira, e entre gemidos

A moça treme, os olhos requebrando:

Como é inda boçal perde os sentidos;

Porém vai com tal ancia trabalhando,

Que os homens é que vem a ser fodidos.

X

Esquentado frisão, brutal masmarro

Girava em Santarem na pobre feira;

Eis que divisa ao longe em couva ceira

Seus bons irmãos seraphicos de barro:

O bruto, que arremeda um boi de carro

Na carranca feroz, parte á carreira,

Os sagrados bonecos escaqueira,

E arranca de ufania um longo escarro:

N'alma o sancto furor lhe arqueja, e berra;

Mas vós enchei-vos de intimo alvoroço,

Povos, que do burel soffreis a guerra:

Que dos bonzos de barro o vil destroço

E presagio talvez de irem por terra

Membrudos fradalhões de carne e osso!

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 105 / 208 题