IV

N'um capote embrulhado, ao pé de Armia,

Que tinha perto a mãe o chá fazendo,

Na linda mão lhe fui (oh ceos!) mettendo

O meu caralho, que de amor fervia:

Entre o susto, entre o pejo a moça ardia:

E eu solapado os beiços remordendo,

Pela fisga da saia a mão crescendo

A chamada sacana lhe fazia:

Entra a vir-se a menina… Ah! que vergonha!

«Que tens? — lhe diz a mãe sobresaltada:

Não pode ella encobrir na mão langonha:

Suffocada ficou, a mãe corada;

Finda a partida, e mais do que medonha

Á noute começou da bofetada.

V

No canto de um venal salão de dança,

Ao som de uma rebeca desgrudada,

Olhos em alvo, a porra arrebitada,

Bocage, o folgazão, rostia o França:

Este, com mogigangas de creança,

Com a mão pelos evos encrespada,

Brandia sobre a roxa fronte alçada

Do assanhado porraz, que quer lambança:

Veterana se faz a mão bisonha;

Tanto a tempo menêa, e súa o bicho,

Que em Bocage o tezão vence a vergonha:

Quiz vir-se por luxuria, ou por capricho;

Mas em vez de acudir-lhe alva langonha

Rebenta-lhe do cú merdoso esguicho.

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 101 / 208 题