ALZIRA A OLINDA.

Conheço de teus males a vehemencia,

Prezada Olinda! Eu propria os hei soffrido,

Quando da mesma edade que hoje contas

Próvida a Natureza começava

A preencher em mim seus fins sagrados.

Marcha ella por graus em suas obras;

Precede ao fructo a flor já matizada,

Que fôra antes de flor botão mimoso.

Assim a sabia mão da Natureza

A passos insensiveis caminhando

Maravilhas em nós produz, que assombram.

Somos na infancia apenas um bosquejo

Do que nos cumpre ser annos mais tarde.

N'aquella edade a Natureza attenta

Em conservar-nos só, não desenvolve

Sentimentos, que então superfluos foram:

Inactivas nos tem, e nos conserva,

Bem como as plantas no gelado hynverno.

Porém depois que o sol da primavera

Fecundos raios sobre nós dardeja,

Então de novas fórmas animado

Pula nas vêas affogueado sangue,

E sem perder da infancia os attractivos

Da puberdade o lustre desfructamos.

Então sentimos commoções insolitas,

Que origem são dos males, que te opprimem;

Do amor, que te domina, melancolico;

Da forte agitação, que em ti presentes.

Mas tem tudo remedio; eu hei de dar-t'o,

Feliz serás, se o trilho me seguires.

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 87 / 208 题