OLINDA A ALZIRA.

Que extranha agitação não sinto n'alma

Depois que te perdi, querida Alzira!

De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo,

Que a tua companhia incendiava!

Por uma vez se foi minha alegria,

Nem a mesma já sou, que outr'hora hei sido!

Minhas vistas ao céo languidas se erguem,

E a mim propria pergunto d'onde venha

Tão novo sentimento assuberbar-me?

Não se aquieta o coração no peito,

Não cabe n'elle, e viva chamma no intimo

Das entranhas ardente me devora,

Sem que eu possa atinar a causa, a origem.

Aquelles passatempos, que na infancia

Tão do peito queria, em odio os tenho.

Das mesmas sup'rioras a presença,

Que d'antes para mim era indiff'rente,

Se me torna hoje dura, intoleravel!

Aonde, aonde irão estes impulsos

Precipitar a malfadada Olinda?

Será, querida Alzira, a tua ausencia,

Que me faz derramar tão agro pranto?

Debalde a largos passos solitaria

Vago sem norte: ignoro o que procuro;

Ah! minha chara! os males que tolero

Expressal-os não posso, nem soffrel-os.

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 85 / 208 题