Tres mezes depois o altar havia santificado o mutuo amor de Luiz e
Magdalena.
O ninho de Jorge de Macedo abrigava mais uma ave; o bondoso capitalista,
tinha, agora, em vez d'uma filha, dous filhos queridos.
Era duplamente feliz.
Luiz tomára sobre si todo o pezo e toda a responsabilidade dos negocios
do honrado negociante, para que este descançasse, e desempenhava-se de
tal modo de seus encargos, que nada havia por que merecesse uma censura.
Magdalena era feliz e muito feliz.
Ainda hoje, os dous esposos, se reunem em cada tarde no caramanchão de
maracujás do lago da chácara, no Botafogo, e ahi passam horas e horas,
enlevados nas dulcissimas venturas da sua vida, que tem mais do céo do
que da terra.
Ha alli um novo Eden.
Americo sahiu do Rio de Janeiro no dia immediato áquelle em que foi
forçado a desafivelar a mascara com que pretendia encobrir a sua
ambição; n'aquelle em que foi expulso da casa do homem a quem devia
muito, e ninguem mais o viu ou deu noticias d'elle.
Corria muito vagamente que andava desgraçadissimo na America do Norte,
dizendo-se que fugira para lá.
Não sei. Talvez.
O cabinda, coitado, morreu de velhice, exalando o ultimo alento nos
braços de Jorge, de Luiz e de Magdalena, que lhe cercavam o leito e o
não desampararam nos dias de enfermidade.
Lembrou-se, no momento extremo, da sua parceira e dos filhos queridos, a
quem, dizia, se ia juntar, mas desprendeu a alma do involucro terrestre,
beijando risonho, como o justo que antevê o céo, as mãos dos seus tres
amigos, e dizendo como que em signal de agradecimento, pelo modo
distincto e humanitario com que sempre foi tratado:
--Bem haja, meu senhor! O negro lá ha-de dizer á sua senhora que o
branco fez o que prometteu. Tratou bem o negro e fez feliz a Filha do
Cabinda.