Vim de bordo, aonde fui acompanhar os dous, com o velho Aguiar, o
desembargador Campos e outros amigos. D. Carmo foi só até o caes;
estava sucumbida, e enxugava os olhos. Ficou parada, a ver a lancha
em que iamos, dizendo adeus com o lenço: não tardou que o espaço nos
separasse inteiramente da vista.
Fidelia ia realmente triste; o mar não tardaria em espancar as sombras,
e depois a outra terra, que a receberia com a outra gente. Eu, no
tombadilho do paquete, imaginei o cemiterio, o tumulo, a figura, as
mãos postas e o resto. Tristão, á despedida, disse palavras amigas e
saudosas a Aguiar, mandou outras para a madrinha, e a mim pediu-me que
não esquecesse os paes de emprestimo e os fosse ver e consolar. Prometi
que sim. Descemos para a lancha e afastamo-nos do paquete.
Tenho embarcado e desembarcado muitas vezes, devia estar gasto. Pois
não estou. Não sentia a separação, é verdade; trazia os olhos no velho
Aguiar e o pensamento na velha Carmo. Quanto ao desembargador vinha
triste com a separação, mas a sobrinha obrigou-o a prometer, á ultima
hora, que iria vel-a no anno proximo, e elle não advertiu que o pedido
desdizia da promessa que lhe tinha feito de regressar no fim do anno ao
Rio de Janeiro.
Despedimo-nos no caes. Aguiar seguiu para o Banco, eu vim para casa,
onde escrevo isto. De noite irei ao Flamengo, a cumprir desde já a
promessa que fiz a Tristão e a Fidelia.
Não acabarei esta pagina sem dizer que me passou agora pela frente
a figura de Fidelia, tal como a deixei a bordo, mas sem lagrimas.
Sentou-se no canapé e ficámos a olhar um para o outro, ella desfeita
em graça, eu desmentindo Shelley com todas as forças sexagenarias
restantes. Ah! basta! Cuidemos de ir logo aos velhos.
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Dez horas da noite.
Venho do Flamengo. Quizera ficar mais tempo, mas elles precizavam
descançar da separação. Campos tambem lá foi, e ambos saímos cedo, nove
e meia; não se falou dos viajantes.
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