2 de Março.

Venho da casa do Aguiar. Lá achei Fidelia, um primo desta, filho do

desembargador, alumno da Escola de Marinha (16 annos) e um empregado

do Banco do Brazil. Passei uma boa hora ou mais. A velha esteve

encantadora, a moça tambem, e a conversação evitou tudo o que pudesse

lembrar a ambas a respetiva perda, uma do esposo, outra do filho

postiço. Contavam-se historias de sociedade, que eu ouvi sorrindo,

quando era preciso, ou consternado nas ocasiões pertinentes. Tambem

eu contei uma, de sociedade alheia e remota, mas o receio de lembrar

á viuva Noronha alguma terra por onde houvesse andado com o marido

me fez encurtar a narração e não começar segunda. Entretanto, ella

referiu duas ou tres reminiscencias de viagem, impressões do que vira

em muzeus da Italia e da Allemanha. Da nossa terra dissemos cousas

agradaveis e sempre de acordo. A mesma torre da matriz da Gloria, que

alguns defenderam como necessaria, deixou-nos a nós, a ella e a mim,

concordes no desacordo, sem que aliás eu combatesse ninguem. O cazal

Aguiar ouviu-nos sorrindo; o moço da Escola de Marinha tentou, em vão,

suscitar a questão militar.

Com isso e o mais enchemos a noite. Ninguem pediu a Fidelia que

tocasse, embora me digam que é admiravel ao piano. Em compensação,

ouvimos-lhe dizer alguma cousa de mestres e de paginas celebres,

mas isso mesmo foi breve e interrompido, pode ser que lhe lembrasse

o finado. Saí antes della. Ouvi ao Aguiar que daqui a dous mezes,

começará as suas reuniões semanaes.

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Memorial de Ayres · 第 25 / 174 题