correspondem naturalmente quatro especies de letras susceptiveis das mesmas
denominações segundo os seus valores.
Assim pois ha letras soantes e mudas, toantes e mudas; etc. _X_ é toante
(z...), soante (ç..., x...) e simultaneamente muda e soante (qç...).
Estas denominações e classificações tem utilidade, porque envolvem anályse,
dão um conhecimento mais perfeito da palavra e da escrita, e proporcionam
em muitos casos á doutrina do mestre uma precisão e clareza, que a
distincção geral de vogaes e consoantes mal pode permittir.
Mas se se quizesse apenas essa distincção, era dividir as letras em
_vogaes_ e _invogaes_.
Ora contando as vozes ou elementos cantantes da nossa lingua, que se
representam em mais do dôbro de maneiras, achamos dezesete. Ajuntando os
quatro elementos toantes, os tres soantes e os doze mudos (todos tambem
representados em muito maior número de caracteres) temos os trinta e seis
elementos a que nos referiamos a pag. 53.
Mas voltando ao alfabeto, não recommendamos que o façam aprender de cór
senão a discipulos que nutram a lisonjeira esperança de chegar um dia a
folhear diccionarios, que é do que serve.
Em todo o caso ahi o tendes, á escolha, minusculo e maiusculo entremeado
para confronto, e separado. Ainda nos parecia melhor, isto é, menos
indigesto, encorporado em palavras, onde ao pé da maiuscula apparecesse a
minuscula, e ao lado os nomes que nós damos ás letras.
Desses nomes ides ver alguns escritos dum modo mais sobrio ou mais usual
mas equivalente; pois, por exemplo, lendo _zêz_ como se costuma ler _zaz_,
no fim soa _x_... que é o mesmo valor, embora mais exacto, que pretendiamos
indicar no nome _zêxe_. Igualmente lendo á portugueza _cêqes_, soam tres
inflexões, _ç_... _q_... _x_..., que são os valores do _c_ simples, e
accentuado de _h_. Nós tambem lemos _zig-zag_, dando ao _g_ o valor
guttural: porque não havemos de escrever semelhantemente _gêg_, para
significar os dois valores desta toante e muda? Quizemos dar de barato aos
partidarios dos nomes volumosos; agora permittam-nos essas modificações
accidentaes.
Mas ao _c_ tinhamos chamado _cêqe_: chamando-lhe agora _cêqes_, ha uma
differença essencial. A razão é, como vêdes, para abranger no nome o novo
valor que lhe trouxe o _h_. Assim vão tambem accrescentados os nomes de
_p_, _l_, _n_: e dessa alteração convem dar conta e explicação ao alumno;
se é que não preferis considerar _nh_, _lh_, _ph_, _ch_ como formas
elementares, chamando-lhes _nhê_, _lhê_, _phê_ grego, _xêq_; o que é
rasoavel mas pouco conforme ao que entre nós se entende por alfabeto.
E agora vem a proposito fallarmos de _dh_, que a pag. 23 incluímos nas
formas compostas, e todavia não apparece na última lição. _Dh_ é uma
juncção casual, á similhança de _nh_ por exemplo em _inhabil inherente_ que
se lê _inábil inerente_. As palavras que principiam por _h_, compostas de
_ad_ e _in_, affectam estas excepções ao _nh_, e aquella forma _dh_, não
havendo em rigor nem uma nem outra cousa. Como porem mal se pode fallar ao
alumno em preposições, e não deixava de convir _praticamente_ considerar a
cousa como parece, a isso nos dispunhamos, cedendo depois á verdade
theorica.
Os quadros alfabeticos assim talhados, pelas cinco vogaes, em outras tantas
regras ou linhas, estão indicando as porções em que se ha-de estudar o
alfabeto. De alguma cousa havia de servir a posição alfabetica das vogaes.
O alfabeto é uma ordem puramente material; o seu estudo, aborrecido; e não
ha necessidade de molestar o alumno. Quantos terão renunciado á gloria de
saber ler, pelo fastio invencivel dessa enfiada de nomes barbaros e
desconnexos? É verdade que no princípio, que é quando o costumam ensinar, a
essa desconnexão ajunta-se a absoluta ausencia de sentido; mas em todo o
tempo a memoria se esquiva a encadear semelhante salsada.
Se acceitais a nossa nomenclatura, alternai com o discipulo as vezes
necessarias, ou fazei repetir alternadamente os discipulos, accumulando de
dia para dia os nomes decorados:
_á_, _bê_, _cêqes_, _dê_;
_é_, _fê_, _jêg_, agá,
_í_, _jê_, _kê_ grego, _lêlh_, _me_tíl, _nênhe_tíl;
_ó_, _pêf_, _qê_, _rêr_, _sezêz_, _tê_;
_ú_, _vê_, _qce-cezêz_, _i_ grego, _zêz_.
Adoptai esses nomes, que são verdadeiros e methodicos: não vos preoccupeis
com o costume. O cozinheiro ri-se de ouvir chamar ao sal chlorureto de
soda; os chimicos deixam-no rir.
Mas antes do alfabeto damos uma lição de esdruxulos, em que não deixa de
convir ensaiar o discipulo.
Nós temos, em relação á syllaba dominante, tres generos de palavras, que
são:
_Agudas_: onde se carrega na última (ou unica) syllaba: _dá_, _arroz_,
_fareis_.
_Inteiras_: onde se carrega na penultima: _dado_, _arrozes_, _farieis_.
_Esdruxulas_: onde se carrega na antepenultima: _esdruxulo_, _penultima_,
_última_, _pallida_, etc.
Os francezes não teem estas melodiosas palavras. Os hespanhoes teem-nas, e
com razão accentuam sempre a vogal dominante. Nós que em materia de
accentos só não poupamos o _h_, continuamos a escrever _ultima_, _publica_,
_replica_, e o leitor que _tire pelo sentido_.
Mais uma razão para darmos uma lição de esdruxulos ao principiante, que tem
o sentido distrahido na decifração de caracteres, alguns tão duvidosos.
Como acima alludimos aos elementos da lingua, e é por elles que se hão de
classificar as letras, ahi os damos seguindo nos _toantes_ e _soantes_ a
ordem fónica em escala descendente, e quanto aos _mudos_ a ordem
fysiologica dos labios para a garganta. Para exercicio especialmente das
maiusculas damos uma lenda vertida do francez.
{ _á_, _ã_, _â_ }
{ _è_, _é_, _ẽ_, _ê_, _e_ grave }
Vozes { _í_, _ĩ_, _i_ » } Voz
{ _ó_, _õ_, _ô_ }
{ _ú_, _ũ_, _u_ » }
{ _rr_...} {repique de lingua.
{Toantes { _j_... } {lingua no ceo da bôca.
{ { _z_... } Voz e {dentes cerrados.
{ { _v_... } {labio inferior pegado aos
{ { dentes de cima.
{
{
{ {_x_...} {lingua no ceo da bôca.
{Soantes {_c_...} Fôlego e {dentes cerrados.
{ {_f_...} {labio inferior pegado aos
{ { dentes de cima.
{
{ { _m_ }
Inflexões { { _b_ } Labios pegados.
{ { _p_ }
{ {
{ { _d_ } Lingua nos dentes.
{ { _t_ }
{ {
{Mudas..{ _r'_ }
{ _l_ }
{ _lh_ }Lingua no ceo da bôca.
{ _n_ }
{ _nh_ }
{
{ _g'_} Lingua contrahida na garganta.
{ _q_ }