Está hoje provado que os exercitos permanentes, com os progressos das
armas e dos instrumentos de guerra, e ainda com a rapidez dos
telegraphos e dos caminhos de ferro que obrigam a uma immediata
mobilisação de massas enormes, não são garantia sufficiente á defensão
efficaz de um paiz. Em geral, os governos precisam e servem-se d'elles,
não para esmagar o inimigo que lhes ultraja a bandeira ou lhes viola as
fronteiras, mas para intimidar e reduzir ao silencio os adversarios,
que, dentro da nação, os perturbam e incommodam. E eis ahi está o motivo
porque os exercitos, na actualidade, longe de serem um elemento de
defeza nacional, são, ao contrario, um elemento de defesa, para as
classes dirigentes, que teem n'elles o seu unico e principal apoio,
quando se trata de salvaguardar os seus interesses e os seus haveres,
ainda que para isso seja preciso fuzilar a _canalha_ ou atirar sobre o
povo inerme e faminto!
O partido operario socialista condemna a guerra, e, por isso, repelle os
exercitos permanentes. O armamento geral do povo não só traria, como
consequencia, uma economia para cada paiz, senão ainda desarmaria, por
completo, a burguezia. A nação armada até ao seu ultimo homem,
tornar-se-ha mais forte e poderosa do que nunca, e será--digamol-o
assim--inatacavel. Para isso bastará que a instrucção militar complete a
instrucção scientifica e profissional, assegurada socialmente a todos os
menores sem distincção; que a espingarda, posta na escola nas mãos
de todos, esteja, ao sahir da escola, nas mãos de cada um, e que, depois
de uma rapida passagem pelas bandeiras, todos os annos se realisem as
grandes manobras, para manter a cohesão indispensavel, entre elementos
individualmente superiores, obrigando-os a contrahir o habito das
operações collectivas.
O poder militar da Suissa, não se apoia n'outras razões e corrobora
praticamente esta nobre e generosa aspiração.