Art. 4.º--_Abolição dos exercitos permanentes e armamento geral do povo._

Está hoje provado que os exercitos permanentes, com os progressos das

armas e dos instrumentos de guerra, e ainda com a rapidez dos

telegraphos e dos caminhos de ferro que obrigam a uma immediata

mobilisação de massas enormes, não são garantia sufficiente á defensão

efficaz de um paiz. Em geral, os governos precisam e servem-se d'elles,

não para esmagar o inimigo que lhes ultraja a bandeira ou lhes viola as

fronteiras, mas para intimidar e reduzir ao silencio os adversarios,

que, dentro da nação, os perturbam e incommodam. E eis ahi está o motivo

porque os exercitos, na actualidade, longe de serem um elemento de

defeza nacional, são, ao contrario, um elemento de defesa, para as

classes dirigentes, que teem n'elles o seu unico e principal apoio,

quando se trata de salvaguardar os seus interesses e os seus haveres,

ainda que para isso seja preciso fuzilar a _canalha_ ou atirar sobre o

povo inerme e faminto!

O partido operario socialista condemna a guerra, e, por isso, repelle os

exercitos permanentes. O armamento geral do povo não só traria, como

consequencia, uma economia para cada paiz, senão ainda desarmaria, por

completo, a burguezia. A nação armada até ao seu ultimo homem,

tornar-se-ha mais forte e poderosa do que nunca, e será--digamol-o

assim--inatacavel. Para isso bastará que a instrucção militar complete a

instrucção scientifica e profissional, assegurada socialmente a todos os

menores sem distincção; que a espingarda, posta na escola nas mãos

de todos, esteja, ao sahir da escola, nas mãos de cada um, e que, depois

de uma rapida passagem pelas bandeiras, todos os annos se realisem as

grandes manobras, para manter a cohesão indispensavel, entre elementos

individualmente superiores, obrigando-os a contrahir o habito das

operações collectivas.

O poder militar da Suissa, não se apoia n'outras razões e corrobora

praticamente esta nobre e generosa aspiração.

O Primeiro de Maio · 第 32 / 101 题