CAPITULO VII.

_Catalogo das Serenissimas Rainhas de Portugal._

O preclarissimo titulo de Rainha neste Reino he mais antigo que o dos

Reys; porque foy costume daquelles primeiros Monarcas de Leaõ dar em

vida titulo de Reys aos filhos, e de Rainhas às filhas para ficar assim

nelles mais estabelecida, e segura a successaõ Real;[738] e ainda que

alguns erradamente disseraõ, que o illustrissimo Conde D. Henrique

assentara o senhorio de Portugal debaixo do titulo de Condado,[739]

ninguem até agora duvidou que sua mulher a Senhora Dona Teresa, como

filha, que era delRey D. Affonso de Castella, deixasse de se chamar

sempre Rainha, e naõ Condessa; e do mesmo modo se chamaraõ Rainhas

suas filhas, cujo estylo se praticou neste Reino até D. Sancho I.[740]

do qual tempo até este nosso tomaraõ o nome de Infantes, o que naõ

entendendo alguns Historiadores Flamengos, attribuiraõ a ambiçaõ

chamarse Rainha, e naõ Condessa a Senhora Dona Teresa, filha delRey D.

Affonso I. que casou com o Conde de Flandes Filippe de Alsacia.[741]

Isto supposto, entremos a executar o promettido.

2 _Dona Teresa_, mulher do Conde D. Henrique, era filha delRey D.

Affonso VI. de Leaõ, e herdeira de seus Estados, Senhora de notavel

formosura. Casou com o illustrissimo Conde no anno de 1093, trazendo

em dote todo o Reino de Portugal, que ella governou dezaseis annos

depois da morte do Conde seu marido, como senhora proprietaria

delle;[742] e porque se aproveitava dos conselhos de hum Cavalhero

Galego, chamado D. Fernando Peres, Conde de Trastamara, quizeraõ muitos

dizer[743] que a Rainha Dona Teresa contrahira segundo casamento com o

tal Conde; porém he certo que tal naõ houve, como efficazmente prova o

erudito Padre D. Joseph Barbosa.[744] Fundou a Igreja de S. Pedro de

Rates na Cidade de Braga: fez varias doações às Sés de Braga, Porto, e

Coimbra: admittio em Portugal os Cavalleiros Templarios; e finalmente

morreo em o primeiro de Novembro de 1130. Jaz na Capella mór da Sé de

Braga.

3 _Dona Mafalda_, filha de Amadeo III. Conde de Saboya, e Moriana,

casou com D. Affonso Henriques, primeiro Rey de Portugal, no anno

de 1146. Fundou, e dotou hum Hospital na Villa de Canavezes para

nove passageiros, e peregrinos terem nelle agazalho com todo o

commodo possivel: unio-lhe as rendas da ponte, que mandou fabricar

grandiosamente. Edificou a Igreja de Santa Maria de Sobre-Tamaga, e o

Morteiro da Costa de Guimarães, que deu aos Conegos Regulares de Santo

Agostinho, e hoje possuem os Religiosos de S. Jeronymo. Faleceo a 4 de

Novembro de 1157, e está sepultada no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra

junto de seu marido.[745]

4 _Dona Dulce_ foy filha de D. Ramon Berenguer, Conde de Barcelona,

e Principe de Aragaõ. Casou com ElRey D. Sancho I. no anno de 1175,

confirmou com ElRey seu marido algumas doações pias, e morreu em

Coimbra no primeiro de Setembro de 1198. Está sepultada no Mosteiro de

Santa Cruz da mesma Cidade.[746]

5 _Dona Urraca_ era filha de D. Affonso IX. Rey de Castella. Casou

com D. Affonso II. de Portugal no anno de 1201. Teve a felicidade

de receber em seu Palacio a S. Francisco, e aos cinco Martyres de

Marrocos; e sendo trazidos seus corpos a Coimbra, os foy buscar, e

deu sitio para se fundar na mesma Cidade o primeiro Convento de S.

Francisco em o Reino. Viveo com exemplar virtude, e mereceu que Deos

lhe revelasse o dia de sua morte, que foy a 3 de Novembro de 1220. Jaz

no Mosteiro de Alcobaça.[747]

6 _Dona Brites_ filha delRey D. Affonso X. de Castella, chamado o

_Sabio_, e ella Princeza de singular perfeiçaõ, e prudencia, casou com

D. Affonso III. de Portugal no anno de 1253. Fundou o Hospital dos

Meninos Orfãos de Lisboa, e o Convento de S. Francisco de Estremoz.

O mayor louvor, que se lhe póde dar, he a grande fidelidade, que

mostrou a ElRey D. Affonso seu pay, socorrendo-o com seus thesouros.

Morreu em 27 de Outubro de 1303, e está sepultada no Real Mosteiro de

Alcobaça.[748]

7 _Santa Isabel_ foy filha delRey D. Pedro III. de Aragaõ, chamado o

_Grande_. Casou com ElRey D. Diniz em 24 de Junho de 1282. Instituio

com seu marido a Igreja, e Festa do Espirito Santo em Alenquer. Fundou

a Capella de Nossa Senhora da Conceiçaõ no Convento da Trindade de

Lisboa. Por morte de seu marido se recolheo ao Mosteiro de Santa Clara

de Coimbra, tambem fundaçaõ sua, onde viveo com taõ grandes evidencias

de santidade, obrando Deos por sua intercessaõ muitos prodigios em

vida, e depois de sua morte, que alcançou ser numerada no Catalogo

dos Santos por Urbano VIII. em 25 de Mayo de 1625. Partio desta vida

a gozar da eterna em 4 de Julho de 1336. Está seu veneravel corpo no

Mosteiro de Santa Clara de Coimbra.[749]

8 _Dona Brites_ filha de D. Sancho IV. Rey de Castella, chamado o

_Bravo_, casou com D. Affonso IV. de Portugal em 12 de Setembro de

1309. Instituio na Sé de Lisboa as Mercearias, que chamaõ de Affonso

IV. por concorrer tambem seu marido para esta instituiçaõ. Morreo em

Lisboa no anno de 1359 a 25 de Outubro. Jaz na antiga Sé de Lisboa.[750]

9 _Dona Constança_ foy filha de D. Joaõ Manoel, Duque de Peñafiel,

Marquez de Vilhena. Casou no anno de 1340 com ElRey D. Pedro I. sendo

ainda Infante, e foy sua primeira mulher. Morreo de parto do Infante

D. Fernando a 13 de Novembro de 1345. Está sepultada no Convento de S.

Francisco de Santarem.[751]

10 _Dona Ignez de Castro_ foy filha de D. Pedro Fernandes de Castro,

grande Senhor em Galiza. Casou com o Principe D. Pedro no anno de 1354

occultamente. Fundou a Capella, em que está sepultado S. Gervaz na

Paroquia da Villa de Basto. Por mandado delRey D. Affonso IV. foy morta

com grande tyrannia, e injustiça aos 7 de Janeiro de 1355. Passados

dous annos, declarou ElRey D. Pedro que havia sido sua legitima

mulher, e como a tal a fez sepultar em Alcobaça com insignias Reaes,

onde jaz em primoroso tumulo.[752]

11 _Dona Leonor Telles_, filha de Martim Affonso Tello de Menezes,

casou com ElRey D. Fernando, que se namorou della, e a recebeo no

anno de 1371 contra o parecer de todos, porque a usurpou a seu marido

Joaõ Lourenço da Cunha, com quem estava casada, sem embargo de alguns

dizerem que indevidamente em razaõ de affinidade, e sem dispensa.

Em vida de seu marido foy causa dos excessos escandalosos de Joaõ

Fernandes Andeiro, Conde de Ourem. Passou-se a Castella, e morreo em

Tordesilhas a 27 de Abril de 1386. Jaz no Convento de Valhadolid.[753]

12 _Dona Filippa de Lancastro_ foy filha do Duque de Lancastro Joaõ de

Gante. Casou com ElRey D. Joaõ I. de Portugal a 2 de Fevereiro de 1387.

Edificou a Igreja de S. Francisco de Leiria, e fez muitas obras pias, e

acções de caridade, por ser huma Senhora de grande virtude. Morreo no

Lugar de Sacavem aos 18 de Julho de 1415, para onde tinha ido por causa

da peste, e dalli foy conduzida para Odivellas, onde se fizeraõ as

exequias, e depois se transferio para o Convento da Batalha, onde agora

jaz. He fama, que na hora do seu transito a consolara Maria Santissima

com a incomparavel graça da sua vista, cujo favor parece que se faz

provavel, porque dalli a hum anno foy achado seu corpo incorrupto, e

cheiroso.[754]

13 _Dona Leonor_ era filha delRey D. Fernando I. de Aragaõ. Casou com

ElRey D. Duarte a 22 de Setembro de 1428. Deixou-a ElRey seu marido

por tutora, e Governadora do Reino na menoridade delRey D. Affonso

seu filho, o que naõ consentindo os Infantes seus cunhados, houveraõ

discordias grandes entre elles, e a Rainha, até que ultimamente largou

o governo ao Infante D. Pedro, e se foy para Castella, onde morreo em

Toledo a 18 de Fevereiro de 1445, sendo depois seu corpo conduzido para

o Convento da Batalha, onde jaz.[755]

14 _Dona Isabel_ foy filha do Infante D. Pedro, Duque de Coimbra,

Regente do Reino. Casou com ElRey D. Affonso V. em 6 de Mayo de 1448,

sendo que o insigne Genealogico D. Antonio Caetano de Sousa diz, que

fora no anno antecedente, e o prova com escritura authentica. Mandou

edificar hum Convento para os Conegos Seculares de S. Joaõ Evangelista,

e he o que se vê hoje no sitio de Xabregas. Morreo finalmente em 2 de

Dezembro de 1455 na Cidade de Evora, e jaz no Convento da Batalha.[756]

15 Bem se pudera unir a este Catalogo a pouco venturosa Rainha _Dona

Joanna_, filha delRey D. Henrique IV. de Castella, de quem foy jurada

herdeira, e casou em Mayo de 1475 com ElRey D. Affonso V.; mas como

este matrimonio naõ se consumou, porque lhe embaraçaraõ a dispensa

de parentesco a Rainha de Aragaõ, e ElRey D. Fernando o _Catholico_

seu marido, por isso he infelizmente exclusa da ordem das Rainhas de

Portugal, sem embargo de que conservou até à morte estado de Rainha,

e lhe chamavaõ a _Excellente Senhora_. Morreo em Lisboa nos Paços do

Castello no anno de 1530. Jaz no Mosteiro de Santa Clara.[757]

16 _Dona Leonor_ filha do Infante D. Fernando, Duque de Viseu, casou

com ElRey D. Joaõ II. a 22 de Janeiro de 1470. Foy Princeza adornada de

singular formosura, e virtudes admiraveis. Governou o Reino em tempo,

que ElRey D. Manoel seu irmaõ esteve em Castella. Fundou o Mosteiro

da Madre de Deos de Lisboa, e o adornou de preciosas Reliquias, e de

huma estimavel Imagem. Tambem edificou o Mosteiro da Annunciada no

primeiro sitio, que teve junto ao Castello, e o Hospital das Caldas

no termo de Obidos, chamadas por seu respeito da Rainha. Instituio a

Irmandade da Misericordia de Lisboa, donde emanaraõ todas as mais de

Hespanha. Estabeleceo cinco Mercearias na Igreja de Santa Maria de

Obidos, e outras tantas em Nossa Senhora da Graça de Torres Vedras.

Faleceo em Lisboa a 17 de Novembro de 1525, deixando de si, e de suas

virtuosissimas acções saudosas, e eternas memorias, que entre as

Princezas Portuguezas he recommendavel por singular. Está sepultada

no claustro do Mosteiro da Madre de Deos à porta do Refeitorio em

sepultura raza.[758]

17 _Dona Isabel_, filha dos Reys Catholicos D. Fernando, e Dona

Isabel, casou primeiramente com o Principe D. Affonso, filho delRey

D. Joaõ II. de Portugal, aquelle, que depois de estar casado com esta

Senhora naõ mais que seis mezes, acabou lastimosamente a vida junto a

Santarem. Como do Principe lhe naõ ficaraõ filhos, tornou a casar com

ElRey D. Manoel em Outubro de 1497, e passando a Castella, foy jurada

Princeza herdeira daquelle Reino juntamente com ElRey seu marido; e

indo a Aragaõ para serem tambem jurados alli, morreo em Çaragoça de

parto do Principe D. Miguel aos 24 de Agosto de 1498. Jaz no Coro das

Religiosas de Santa Isabel a Real de Toledo.[759]

18 _Dona Maria_ era filha dos mesmos Reys Catholicos, e foy a segunda

mulher delRey D. Manoel seu cunhado, com quem casou em 30 de Outubro de

1500. Foy Senhora de notavel governo. Fundou nas Berlengas o Convento

dos Monges de S. Jeronymo, que depois se mudaraõ para Val bem feito.

Morreo em Lisboa a 7 de Março de 1517. Está sepultada no Convento de

Belém.[760]

19 _Dona Leonor_, terceira mulher delRey D. Manoel, filha delRey

Filippe I. de Castella, casou em 24 de Novembro de 1518. Foy Senhora

muito formosa. Deu principio ao Mosteiro de Nossa Senhora da Assumpçaõ

de Faro das Religiosas de Santa Clara. Por morte delRey D. Manoel

voltou para Castella, e passou a segundas vodas com ElRey Francisco I.

de França. Faleceo em Talavera junto a Badajoz em 18 de Fevereiro de

1558. Jaz no Pantheon do Escurial.[761]

20 _Dona Catharina_, filha delRey D. Filippe I. de Castella, casou com

ElRey D. Joaõ III. em 5 de Fevereiro de 1525. Foy Senhora de muita

bondade, zelosa do augmento da Religiaõ, e adornada de huma singular

prudencia. Governou felizmente o Reino por morte de seu marido na

minoridade delRey D. Sebastiaõ seu neto. Teve huma natural perspicacia

na boa eleiçaõ dos Ministros. Fundou o Convento de Val bem feito de

Monges Jeronymos, e o Mosteiro de Freiras de S. Francisco na Cidade de

Faro, e a Paroquial Igreja de Santa Catharina de Lisboa. Instituio no

Convento de S. Domingos da mesma Cidade huma Cadeira de Moral com renda

para trinta Clerigos assistirem às lições, que ainda hoje se practica

no mesmo Convento. Dotou o Collegio dos Meninos Orfãos. Estabeleceo

no Convento de Belém vinte Mercearias para Cavalleiros pobres, que

tivessem servido em Africa, ou nas Conquistas, e quatro na Capella do

Santo Christo de Cintra. Alcançou de Roma a instituiçaõ do Tribunal do

Santo Officio em Goa. Faleceo a 12 de Fevereiro de 1578 na Cidade de

Lisboa, e jaz no Real Mosteiro de Belém.[762]

21 _Dona Anna de Austria_, filha do imperador Maximiliano II. foy a

quarta mulher de Filippe II. com quem casou a 12 de Novembro de 1570,

sendo sua sobrinha. Foy fecunda, e virtuosa. Morreo em Badajoz a 26 de

Outubro de 1580, e jaz no Escurial.[763]

22 _Dona Margarida de Austria_, filha de Carlos Archiduque de Austria,

casou com Filippe III. em 18 de Abril de 1599. Morreo no Escurial a 3

de Outubro de 1611, e jaz sepultada no Pantheon do mesmo Escurial.[764]

23 _Dona Isabel de Borbon_, filha de Henrique IV. Rey de França, foy a

primeira mulher de Filippe IV. com quem casou no anno de 1615, e morreo

a 6 de Outubro de 1664. Jaz no Escurial.[765]

24 _Dona Luiza Francisca de Gusmaõ_, filha de D. Joaõ Manoel Peres de

Gusmaõ, oitavo Duque de Medina Sidonia, casou com o Serenissimo Senhor

D. Joaõ, oitavo Duque de Bragança, e depois Rey de Portugal em 12 de

Janeiro de 1633. Foy Princeza de espirito altivo, e de admiraveis

virtudes. A restauraçaõ de Portugal esteve pendente da sua industria,

e magnanima resoluçaõ, com que soube persuadir taõ grande empreza ao

Duque seu marido. Este fiou sempre della os negocios mais arduos do

Reino, e ella o governou depois da morte delRey na minoridade de D.

Affonso VI. seu filho, em cujo tempo fez resplandecer no Throno todas

as grandes qualidades de hum Soberano. Introduzio neste Reino a Ordem

da Descalcez de Santo Agostinho, e fundou dous Conventos no Valle de

Xabregas para os Religiosos, e Religiosas desta Ordem. Tambem fundou o

Convento dos Religiosos Dominicos Irlandezes ao Corpo Santo, e o dos

Carmelitas Descalços aos Torneiros. Excitada de mayores pensamentos se

recolheo ao Mosteiro das Religiosas Descalças de Santo Agostinho, que

havia fundado no sitio do Grilo, onde totalmente se esqueceo de que

tivesse reinado, e a 27 de Fevereiro de 1666 faleceo, deixando de suas

virtudes eterna memoria, e jaz sepultada no Mosteiro do Grilo.[766]

25 _Dona Maria Francisca Isabel de Saboya_, filha de Carlos Amadeo de

Saboya, Duque de Neomurs, casou primeiramente com ElRey D. Affonso

VI. de Portugal em 27 de Junho de 1666; porém como este matrimonio

foy julgado por nullo, tornou esta Princeza a casar segunda vez, e se

recebeo com seu cunhado o Principe Regente, que depois foy Rey D. Pedro

II. precedendo para isto dispensa do Pontifice, e se celebraraõ estas

segundas vodas em 2 de Abril de 1668. Foy esta Senhora de estremada

formosura, e dotada de muita prudencia, e por isso conservou com seu

marido hum amor muy reciproco. Mandou fazer a Capella de S. Francisco

de Sales na Igreja dos Padres do Oratorio de Lisboa, e no Noviciado da

Cotovia dos Padres da Companhia mandou edificar a Capella da Conceiçaõ.

Fundou o Mosteiro das Religiosas Capuchinhas Francezas do Santo

Crucifixo em Lisboa. Morreo a 27 de Dezembro de 1683 na quinta do

Conde de Sarzedas em Palhavã, e jaz no Coro das Religiosas do Mosteiro,

que edificou.[767]

26 _Dona Maria Sofia Isabel de Neoburg_, Filha do Eleitor Palatino do

Rhim Filippe Vilhelmo, foy a segunda mulher delRey D. Pedro II. com

quem se recebeo em 11 de Agosto de 1687. Foy Princeza muito benigna, e

caritativa, em cujos actos se exercitava continuamente. Venerou muito

a Religiaõ da Companhia de Jesus, e foy muy devota de S. Francisco

Xavier, em cujo obsequio mandou edificar hum Collegio para os seus

Padres na Cidade de Béja, ao qual dotou grandiosamente. Morreo no Paço

da Corte-Real a 4 de Agosto de 1699, e está sepultada no Convento de S.

Vicente de Fóra.[768]

27 _Dona Maria Anna de Austria_, filha do Imperador Leopoldo I.

casou em 27 de Outubro de 1708 com ElRey D. Joaõ V. Era Princeza muy

affavel, e por isso estimada de seus vassallos: muy devota, muy pia, e

exercitada na cultura das principaes linguas da Europa. Quando ElRey

seu esposo passou ao Alentejo no anno de 1716, ficou esta Senhora com o

governo do Reino, em o qual mostrou a sua rara capacidade, prudencia,

e justiça, virtudes, que praticou com a mesma incumbencia na molestia

delRey. Soube medir as suas acções, e distribuir o tempo com ordem

inalteravel. Concorreo para se extinguirem os theatros profanos das

Comedias, e para exemplo de occupaçaõ mais segura visitava os Templos

com frequencia. Em final da sua verdadeira piedade, e Religiaõ fundou

o Convento dos Carmelitas Descalços Alemães em Lisboa, dedicado a

S. Joaõ Nepomuceno, cuja nova Igreja se benzeo a 6 de Mayo de 1741.

A todos estes habitos de taõ grandes virtudes, que esta augusta

Heroina praticou com edificaçaõ, se ajuntaõ os repetidos actos de

caridade, com que remediava generosa, e liberalmente os pobres. Parece

que o exercicio destes pios, e santos impulsos era hereditario da

augustissima Casa de Austria, a qual em toda a Igreja Catholica se

singulariza em religiosa piedade, e em benigna clemencia, sem embargo

que para a execuçaõ de tantas virtuosas perfeições nunca a Magestade

desta perfeitissima Princeza necessitou de estimulo, nem de exemplo. Em

fim foraõ as suas virtudes, e attributos tantos, e taes, que excedendo

a todos os elogios, mal poderaõ caber nas breves clausulas desta nossa

humilde expressaõ. Faleceo no palacio de Belém aos 14 de Agosto de

1754, e foy seu corpo sepultado na Igreja dos Carmelitas Descalços

Alemães que ella mandara edificar.

28 _Dona Maria Anna Victoria_, filha delRey Catholico Filippe V., e da

Rainha Dona Isabel Farnese, casou em 19 de Janeiro de 1729 com ElRey

Fidelissimo D. Joseph I. He Princeza dotada de huma natural vivacidade,

a qual se nos bosques faz admirar as Ninfas, e as Deosas com os seus

tiros, he igualmente fervorosa nos seus retiros, e cheia de grande

devoçaõ, e piedade. O primoroso Templo de S. Francisco de Paula he

hum grande testemunho da sua grandeza; nem a sua inviolavel soberania

necessita de ser elogiada, para ser immortal.

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| N.| Nome. | Naçaõ. |Ann. em | Marido. |

| | | |q̃ casou.| |

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| 1 | D. Teresa. | Castelhana. | 1093 | D. Henrique. |

| | | | | |

| 2 | D. Mafalda. | Saboyana. | 1146 | D. Affonso I. |

| | | | | |

| 3 | D. Dulce. | Aragoneza. | 1175 | D. Sancho I. |

| | | | | |

| 4 | D. Urraca. | Castelhana. | 1201 | D. Affonso II. |

| | | | | |

| 5 | D. Brites. | Castelhana. | 1253 | D. Affonso III. |

| | | | | |

| 6 | Santa Isabel. | Aragoneza. | 1282 | D. Diniz. |

| | | | | |

| 7 | D. Brites. | Castelhana. | 1309 | D. Affonso IV. |

| | | | | |

| 8 | D. Constança. | Castelhana. | 1340 | D. Pedro I. |

| | | | | |

| 9 | D. Ignez. | Castelhana. | 1354 | D. Pedro I. |

| | | | | |

|10 | D. Leonor. | Portugueza. | 1371 | D. Fernando. |

| | | | | |

|11 | D. Filippa. | Ingleza. | 1387 | D. Joaõ I. |

| | | | | |

|12 | D. Leonor. | Aragoneza. | 1428 | D. Duarte. |

| | | | | |

|13 | D. Isabel. | Portugueza. | 1448 | D. Affonso V. |

| | | | | |

|14 | D. Leonor. | Portugueza. | 1470 | D. Joaõ II. |

| | | | | |

|15 | D. Isabel. | Castelhana. | 1497 | D. Manoel. |

| | | | | |

|16 | D. Maria. | Castelhana. | 1500 | D. Manoel. |

| | | | | |

|17 | D. Leonor. | Flamenga. | 1518 | D. Manoel. |

| | | | | |

|18 | D. Catharina. | Castelhana. | 1525 | D. Joaõ III. |

| | | | | |

|19 | D. Anna. | Castelhana. | 1570 | D. Filippe II. |

| | | | | |

|20 | D. Margarida. | Alemã. | 1599 | D. Filippe III. |

| | | | | |

|21 | D. Isabel. | Franceza. | 1615 | D. Filippe IV. |

| | | | | |

|22 | D. Luiza. | Castelhana. | 1633 | D. Joaõ IV. |

| | | | | |

|23 | D. Maria Francisca. | Franceza. | 1668 | D. Pedro II. |

| | | | | |

|24 | D. Maria Sofia. | Alemã. | 1687 | D. Pedro II. |

| | | | | |

|25 | D. Maria Anna. | Alemã. | 1708 | D. Joaõ V. |

| | | | | |

|26 | D. Maria Anna. | Castelhana. | 1729 | D. Joseph I. |

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| Filhos.| Anno em |Lugar da morte.| Lugar da sepultura. |

| |que morreo.| | |

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| 4 | 1130 | ... | Sé de Braga. |

| | | | |

| 7 | 1157 | Coimbra. | Santa Cruz de Coimbra. |

| | | | |

| 11 | 1198 | Coimbra. | Santa Cruz de Coimbra. |

| | | | |

| 4 | 1220 | Coimbra. | Alcobaça. |

| | | | |

| 7 | 1303 | ... | Alcobaça. |

| | | | |

| 2 | 1336 | Estremoz. | Santa Clara de Coimbra. |

| | | | |

| 7 | 1359 | Lisboa. | Sé de Lisboa. |

| | | | |

| 3 | 1345 | Santarem. | S. Francisco de Santarem. |

| | | | |

| 4 | 1355 | Coimbra. | Alcobaça. |

| | | | |

| 3 | 1386 | Tordesilhas. | Valhadolid. |

| | | | |

| 8 | 1415 | Odivelas. | Batalha. |

| | | | |

| 9 | 1445 | Toledo. | Batalha. |

| | | | |

| 3 | 1455 | Evora. | Batalha. |

| | | | |

| 1 | 1525 | Lisboa. | Madre de Deos. |

| | | | |

| 1 | 1598 | Saragoça. | Santa Isabel de Toledo. |

| | | | |

| 10 | 1517 | Lisboa. | Belém. |

| | | | |

| 2 | 1558 | Badajoz. | Escurial. |

| | | | |

| 9 | 1578 | Lisboa. | Belém. |

| | | | |

| 3 | 1580 | Badajoz. | Escurial. |

| | | | |

| 7 | 1611 | Escurial. | Escurial. |

| | | | |

| 7 | 1664 | Madrid. | Escurial. |

| | | | |

| 7 | 1666 | Lisboa. | Grilo. |

| | | | |

| 1 | 1683 | Palhavã. | Francezinhas. |

| | | | |

| 7 | 1699 | Lisboa. | S. Vicente de Fóra. |

| | | | |

| 6 | 1754 | Lisboa. | S. Joaõ Nepomuceno. |

| | | | |

| 4 | | | |

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Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II · 第 116 / 163 题