CAPITULO III.

_Conducta dos Portuguezes no governo dos Romanos._

1 Assim continuava a soberania Romana em dominar Hespanha, que sendo

até o anno 534 da fundaçaõ de Roma huma só Provincia Consular, pelos

annos porém de 557 da mesma fundaçaõ, e 196 antes de Christo, foy

dividida em duas Provincias Pretorias, ou Proconsulares, chamadas

_Ulterior_, e _Citerior._ Naquella se comprehendia a Betica, e a

Lusitania, isto he, Andaluzia, e Portugal: na Citerior todas as mais

partes de Hespanha.[505]

2 Para exacto governo dellas eraõ enviados de Roma varios Pretores, ou

Governadores fortalecidos com legiões de gente militar para presidio

das terras, que hiaõ conquistando; porém como os Lusitanos mal soffriaõ

o jugo Romano, foy preciso ao respeito dos Senadores para nos sujeitar

à obediencia mandar tambem o Consul Cataõ Censorino, o qual usando

de affabilidade, dominou os corações da nossa gente até o ultimo dia

do seu governo, pois tanto que Scipiaõ Nasica lhe succedeo, logo se

revoltaraõ como leões indomitos contra elle.

3 Inconstante fortuna experimentou Nasica no principio da sua Pretura;

porém no fim a logrou taõ favoravel à custa dos nossos, que a sorte,

mais que o esforço, o fez vencedor de cento e trinta e quatro

bandeiras.[506] Mas naõ perdendo os Lusitanos já mais o acordo na

desgraça presente, e appellando para o primeiro conflicto, souberaõ

vingar a perda passada com destruiçaõ total do exercito Romano, que

governava Lucio Emilio,[507] ruina, que por muitos dias continuos foy

deplorada dentro em Roma, e até a vingança, que depois meditaraõ, foy

mal succedida.

4 Continuavaõ os Pretores, e Consules o governo da Hespanha, os quaes

ou abatidos, ou vitoriosos, sempre confessavaõ por formidaveis as armas

Lusitanas, custando-lhe cada palmo de nosso terreno adquirido rios de

sangue Romano. Entre os nossos Capitães, que deixaraõ resplandecente

nome na veneravel duraçaõ da memoria, foraõ _Apimano_, _Cesaron_,

_Chancheno_, _Viriato_, e _Sertorio_, cujas gloriosas proezas occupaõ

até as Historias dos que pertenderaõ diminuirlhe a fama.

5 Aquelle espantoso terror, que o brio dos Lusitanos tinha semeada em

Roma, chegou a produzir tal impressaõ nos animos de todos, que não

havia nem Tribuno, nem Pretor, que se quizesse encarregar da guerra de

Hespanha; e por acudirem pelo credito da Naçaõ, buscaraõ o caminho do

ludibrio, que foy o da aleivosia, naõ sem escandalo do mundo. Assim se

experimentou na morte de Viriato II. pela perfidia de Quinto Servilio,

e na de Sertorio pela de Marco Perpenna.[508]

6 Seria alheyo da brevidade, que promettemos, particularizar acções,

e successos dos Lusitanos: todas taõ benemeritas da honra, e da

eternidade, como indignas de fama as que os Romanos obravaõ em nossos

Paizes; e muitas vezes com o dolo, e malicia em taõ vulgarizadas

operações, que mal podiaõ occultar a ignominia, que dellas lhes

resultava, como aconteceo com Servio Galba, reprehendido no Capitolio

pelas manifestas aleivosias, que usava com a gente Portugueza.[509]

7 Mais de duzentos annos tardou a conquista da Lusitania; e depois que

se achavaõ nossas forças já lassas, e vigoroso o poder Romano, ainda

assim foy preciso ao prudente Conselho dos Senadores para acabar de

conquistar Hespanha determinar que se expedissem em diversos tempos

dous famosissimos Imperadores, Julio Cesar, e Octaviano Augusto.

Aquelle sendo o mayor guerreiro do mundo, padeceo innumeraveis

resistencias dos nossos. Que cuidados, e desconfianças naõ causaraõ

a Cesar os habitadores da serra da Estrella? Prenderaõ-lhe os

Embaixadores, zombaraõ delles, e se naõ usara Cesar de alguns

estratagemas, nem lhe domara a ferocidade, nem os vencera.[510]

8 Pouco tempo durava esta sujeiçaõ, porque os nossos com obediencia

forçada, ainda que com forças diminutas, a cada passo se estavaõ

rebelando contra os presidios Romanos, querendo antes expôr as vidas

aos mayores empenhos da guerra, que renderem-se a quem lhe queria

supear a liberdade; e como já tinhaõ perdido as esperanças ao socego da

paz, era inconquistavel o seu animo, e orgulho.

9 Seguiraõ-se os incendios tambem na Hespanha das guerras civis entre

Cesar, e Pompeo, e entaõ se acabou de ver que se ficavaõ triunfantes

aquellas bandeiras, a cuja sombra militavaõ Portuguezes. Veyo

finalmente Octaviano Augusto, e conseguida huma paz universal, se

viraõ os Lusitanos totalmente sujeitos ao jugo do Imperio Romano. Em

agradecimento desta tranquillidade offereceraõ muitas povoações nossas

nas fabricas de alguns Templos, eternos elogios, que por acreditarem a

duraçaõ, ainda o tempo gastando-lhe as pedras, lhe naõ pode consumir a

memoria.

10 Dentro deste feliz, e pacifico silencio nasceo ao mundo a salvaçaõ

delle Christo bem nosso; e depois de ter completado Octaviano trinta e

seis annos de Imperio formal, se lhe seguio Tiberio, e successivamente

outros Imperadores sempre com o dominio das nossas terras, as quaes com

a cubiça dos legados fluctuavaõ em mares de turbulencia. Rompiaõ-se os

montes para se desentranharem das suas veas o ouro, e a prata.

11 Alguns destes disturbios da ambiçaõ fez serenar a prudencia de

Vespasiano, e de seu filho Tito, os quaes com generosa, e liberal

affabilidade illustraraõ o Reino com obras, os vassallos com

beneficios. A aspereza dos caminhos se vio reduzida a planicies

suaves; os rios caudalosos vadeados com pontes magnificas; e toda a

Lusitania para o seu bom regimen dividida em tres Comarcas, cinco

Colonias, e tres Municipios.

12 Foraõ passando os annos, e as vidas de outros Imperadores, a quem

nossos antepassados reconheceraõ vassallagem, até que no Imperio de

Galieno começou a descahir a grandeza Romana,[511] experimentando

mais lamentavel estrago em tempo de Arcadio, e Honorio pela invasaõ

dos barbaros de Alemanha, que discorrendo sem piedade por todas as

Provincias da sujeiçaõ de Roma, entraraõ a sepultar nas ruinas, que

abrirão suas espadas, as glorias da Monarquia Imperial por tantos

seculos triunfante, mas agora opprimida, e arrastada pelo decreto fatal

da Providencia. Será conveniente antes que entremos a informar do

estabelecimento do novo dominio, formar hum Catalogo chronologico dos

Pretores, e Consules, que nos governaraõ, noticia, que em obsequio, e

beneficio da Historia, se fará estimavel aos estudiosos.

_Catalogo chronologico aos Pretores, Consules, e Pro-Consules Romanos,

que vieraõ governar Hespanha desde a sua primeira divisaõ em Ulterior,

e Citerior até o Nascimento de Christo Senhor nosso._

Ant.| Fund.|

de | de |

Chr.| Roma |

196 | 557 | Na Ulterior Marco Elio, ou Helvio.

| |

| | Na Citerior Cneyo Sempronio Tuditano.

| |

195 | 558 | Na Ulterior, quinto Fabio Buteo.

| |

| | Na Citerior Quinto Minucio Thermo.

194 | 559 | Na Ulterior Appio Claudio Nero.

| |

| | Na Citerior Paulo, ou Publio Manlio.

| |

| | Com estes dous Pretores veyo tambem

| | neste anno o Consul Marco Porcio

| | Cataõ Censorino, o qual teve o governo

| | em toda a Hespanha, e com felicidade,

| | porque os Lisbonenses, e os de

| | toda a sua Comarca lhe levantaraõ alguns

| | padrões honorificos, e elle recolhendo-se

| | a Roma riquissimo, introduzio

| | no thesouro publico mais de quatrocentos

| | mil cruzados em ouro, e prata,

| | que extrahio das nossas terras; e para

| | ter estas seguras na sua ausencia, antes

| | que partisse mandou derribar os muros

| | a quatrocentas Cidades, e Lugares fortes.[512]

| |

192 | 560 | Na Ulterior Publio Cornelio Scipiaõ

| | Nasica.

| |

| | Na Citerior Sexto Digicio.

| |

| | Tiveraõ os Portuguezes neste governo

| | grandes batalhas com os Romanos, e estes

| | andavaõ taõ desconfiados, e Nasica

| | taõ temeroso do valor Lusitano, que

| | chegou a fazer votos a Jupiter pela vitoria,

| | a qual com effeito alcançou, porque

| | a fome, e fadiga dos nossos debilitou

| | muito o nosso exercito, e com tudo

| | custou-lhe sete mil e novecentos Romanos,

| | que morreraõ no conflicto.

| |

191 | 561 | Na Ulterior Marco Fulvio Nobilior.

| |

| | Na Citerior Cayo Flaminio.

| |

190 | 562 | Na Ulterior Appio Atilio Serrano.

| |

| | Na Citerior Marco Bebio Pamfilo.

| |

189 | 563 | Na Ulterior Lucio Emilio Paulo.

| | Na Citerior Cayo Flaminio reconduzido.

| |

| | Venceraõ os Lusitanos ao Pretor Emilio,

| | matando-lhe seis mil Romanos.

| |

188 | 564 | Ficaraõ reconduzidos os mesmos Pretores,

| | e Lucio Emilio alcançou vitoria

| | dos Portuguezes.

| |

187 | 565 | Na Ulterior Lucio Bebio Divite.

| |

| | Na Citerior Lucio Plaucio Hipseo.

| |

| | Lucio Bebio morreo em Marselha antes

| | de chegar a Hespanha, e assim os

| | Consules mandaraõ para a Pretura de

| | Portugal a Publio Junio Bruto.

| |

186 | 566 | Na Ulterior Cayo Catinio.

| |

| | Na Citerior Lucio Manlio Acidino.

| |

185 | 567 | Os mesmos reconduzidos.

| |

184 | 568 | Na Ulterior Cayo Calfurnio Pison.

| |

| | Na Citerior Lucio Quincio Crispino.

| |

| | Os Lusitanos unidos com os Celtiberos

| | ganharaõ a estes dous Pretores huma

| | batalha, em que lhe mataraõ cinco mil

| | homens.

| |

183 | 569 | Os mesmos reconduzidos.

| |

182 | 570 | Na Ulterior Paulo, ou Publio Sempronio

| | Longo.

| |

| | Na Citerior Aulo Terencio Varro.

| |

181 | 571 | Ficaraõ reconduzidos.

| |

180 | 572 | Na Ulterior Publio Manlio.

| |

| | Na Citerior Q. Fulvio Falco.

| |

178 | 574 | Na Ulterior Lucio Posthumio Albino.

| |

| | Na Citerior Tiberio Sempronio Graco.

| |

| | O Pretor Posthumio teve huma grande

| | batalha com os Bracarenses, a quem

| | venceo depois de huma grande derrota

| | no seu exercito.

| |

176 | 576 | Na Ulterior Tito Fonteyo Capito.

| | Na Citerior Marco Ticinio Curvo.

| |

174 | 578 | Na Ulterior Marco Cornelio Scipiaõ.

| |

| | Na Citerior Publio Licinio Crasso.

| |

| | Estes dous Pretores naõ chegaraõ a vir

| | a Hespanha, e assim foraõ reconduzidos

| | os antecedentes.

| |

173 | 579 | Na Ulterior ignora-se quem fosse neste

| | anno o Pretor.

| |

| | Na Citerior Appio Claudio Cento.

| |

172 | 580 | Na Ulterior Cneyo Servilio Cepio.

| |

| | Na Citerior Publio Furio Filo.

| |

171 | 581 | Na Ulterior Marco Macieno.

| |

| | Na Citerior Cneyo Fabio Buteo.

| |

170 | 582 | Na Ulterior Spurio Lucrecio.

| |

| | Na Citerior Marco Junio.

| |

169 | 583 | Neste anno determinaraõ os Consules

| | que houvesse na Hespanha huma só Pretura,

| | ou Provincia, e assim elegeraõ para

| | Pretor a Lucio Canuleyo.

| |

167 | 585 | Claudio, ou Marco Marcelo.

| |

166 | 586 | Publio Fonteyo.

| |

165 | 587 | Neste anno tornaraõ a dividir Hespanha

| | em duas Preturas, e para a Ulterior

| | veyo Cayo Licinio Nerva, e para a Citerior

| | Cneyo Fulvio.

| |

153 | 599 | Na Ulterior Marco Manilio.

| |

| | Neste governo floreceo hum insigne

| | Capitaõ Bracaranse, chamado Apimano,

| | a quem se seguio Cesaron, que ambos

| | aterraraõ os Romanos.

| |

152 | 600 | Neste anno, conforme Orosio, foy

| | Pretor Sergio Galba; mas Apiano Alexandrino

| | diz que era Calfurnio Pison.

| |

151 | 601 | Neste anno foy Hespanha Provincia

| | Consular, e para seu governo vieraõ os

| | Consules Q. Fulvio, e Tito Anio.

| |

149 | 603 | Lucio Luculo, e Albo Posthumio

| | Consules tiveraõ com os Celtiberos, e

| | Vacceos algumas batalhas taõ mal succedidas,

| | que causou em Roma tanto

| | medo, que naõ havia quem quizesse vir

| | militar para Hespanha; até que Publio

| | Scipiaõ Emilitano, offerecendo-se voluntario,

| | persuadio a muitos a que viessem.

| |

| | No governo destes Consules diz Paulo

| | Orosio, que acontecera aquella vil

| | traição, que fez Servio Galba aos Portuguezes

| | do Algarve,[513] e que refere

| | a Monarquia Lusitana.[514]

| |

145 | 607 | No governo dos Consules Cneyo Cornelio

| | Lentulo, e L. Mumio principiou

| | a florecer o esforçado valor do segundo

| | Viriato, dando mayor credito ao valor

| | dos Portuguezes com as repetidas vitorias,

| | que alcançava dos Romanos.

| |

144 | 608 | C. Vetilio, ou Marco Vetilio, Pretor

| | da Hespanha Ulterior, foy vencido

| | por Viriato.

| |

143 | 609 | Cayo Plaucio, Pretor da Hespanha

| | Ulterior, tambem vencido por Viriato

| | em muitas batalhas.

| |

142 | 610 | Claudio Unimano vencido por Viriato

| | com grande infamia dos Romanos.

| |

| | Neste governo obraraõ prodigios os

| | Portuguezes.

| |

141 | 611 | Cayo Nigidio, a quem huns daõ o titulo

| | de Pretor, outros de Consul, ficou

| | vencido por Viriato no campo de Viseu

| | em humas grandes vallas, que abrio para

| | isso. Taõ atemorizados tinhaõ aos Romanos

| | estes prosperos successos de Viriato,

| | que lhes foy preciso para esta

| | conquista de Hespanha duplicar os soccorros

| | com exercitos Consulares.

| |

140 | 612 | Q. Fabio Consul usou crueldades com

| | os Portuguezes.

| |

139 | 613 | Q. Fabio Proconsul expugnou muitas

| | Cidades da Lusitania.

| |

138 | 614 | O mesmo reconduzido, e juntamente

| | os Consules Cayo Lelio o _Sabio_, e Q.

| | Servilio Cepio, que foy author do assassinio,

| | e morte de Viriato;[515] e Joaõ

| | de Barros diz, que Viriato fora morto

| | no Lumiar, termo de Lisboa.[516]

| |

137 | 615 | M. Pompilio na Hespanha Citerior.

| |

136 | 616 | Decio Junio Bruto Consul fez pazes

| | com os Lusitanos.

| |

135 | 617 | Neste anno sendo Proconsul o mesmo

| | Decio, ou Decimo Junio Bruto, sujeitou

| | ao seu dominio quasi toda a Lusitania,

| | e na passagem do rio Lima lhe aconteceo

| | com os soldados, que naõ queriaõ

| | passar, o que fica referido na primeira

| | parte pag. 127. fallando daquelle

| | rio. A mayor resistencia, que experimentou

| | este Proconsul, foy a que lhe

| | fez a Cidade de Cinania.

| |

134 | 618 | Neste anno vieraõ a Hespanha o Consul

| | Q. Furio, e os Proconsules Q. Metello,

| | e Q. Pomponio.

| |

133 | 619 | M. Emilio Lepido Proconsul.

| |

132 | 620 | Scipiaõ Africano Consul com C. Fulvio

| | Flaco poz hum apertado cerco a

| | Numancia.

| |

131 | 621 | Neste anno vendo-se os Numantinos

| | taõ fortemente cercados pelos Romanos,

| | determinaraõ pôr fogo à Cidade,

| | e morrer antes todos, que entregarem-se.

| | Assim o executaraõ de sorte, que os

| | Romanos naõ acharaõ cousa, de que

| | triunfar, mais que do nome de Numancia.

| |

130 | 622 | Neste anno, e em alguns dos seguintes

| | vieraõ a Hespanha varios Pretores,

| | e Consules, cujos annos de seus governos

| | naõ se podem produzir em chronologia

| | certa.

| |

107 | 645 | Q. Servilio Cepio, ou Scipiaõ, triunfou

| | dos Portuguezes.

| |

103 | 649 | Venceraõ os Lusitanos aos exercitos

| | dos Consules P. Rutilio Rufo, e C.

| | Manlio.

| |

100 | 652 | C. Mario IV. e Q. Luctacio Consules

| | ficaraõ vencidos dos Lusitanos, e a

| | Hespanha Ulterior em grande paz.

| |

97 | 655 | Lucio Cornelio Dolabella Proconsul

| | da Hespanha Ulterior triunfa dos Lusitanos.

| |

92 | 660 | Publio Licinio Crasso Proconsul triunfa

| | dos Lusitanos.

| |

79 | 673 | Neste anno floreceo o valor do Capitaõ

| | Q. Sertorio, que fugindo de Sylla,

| | seu inimigo Romano, veyo a Hespanha,

| | e conciliando a vontade, e animo dos

| | Portuguezes, venceo a muitos Capitães

| | Romanos. Edificou varias obras em Portugal,

| | principalmente Evora.

| |

75 | 677 | Neste anno veyo a Hespanha Pompeo

| | Magno, a quem Sertorio venceo com

| | grande credito dos Portuguezes.

| |

69 | 683 | Foy morto Sertorio em Evora atraiçoadamente

| | por M. Perpenna, e outros

| | conjurados.

| |

68 | 684 | Com a morte de Sertorio conseguio

| | Pompeo que quasi todas as Cidades de

| | Hespanha se lhe entregassem, ainda que

| | à força de armas, e com bastante resistencia

| | de outras.

| |

67 | 685 | Publio Pison Proconsul.

| |

62 | 690 | Neste anno veyo a Hespanha com titulo

| | de Legado hum nobre mancebo

| | Romano, chamado Cneyo Pison, ao

| | qual mataraõ publicamente huns soldados

| | Hespanhoes por industria de Pompeo.

| | Tambem aconteceo neste anno

| | hum notavel tremor de terra na costa de

| | Portugal, e Galiza, com que se arruinaraõ

| | muitos Lugares.[517]

| |

60 | 692 | Q. Calidio com titulo de Pretor de

| | Hespanha destruio muitas companhias

| | de Lusitanos.

| |

59 | 693 | Na Hespanha Ulterior Tuberon Pretor.

| | Veyo por seu Questor C. Julio Cesar.

| |

58 | 694 | Na Hespanha Ulterior C. Julio Cesar

| | Pretor fez sujeitar ao Imperio Romano

| | a Lusitania, e Galiza; e recolhendo-se

| | a Roma, foy feito Consul.

| |

57 | 695 | Veyo Pompeo a Hespanha, que ao

| | depois administrou por Legados.

| |

56 | 696 | Publio Lentulo Pretor.

| |

54 | 698 | Q. Metello Nepos Proconsul.

| |

53 | 699 | Q. Cecilio Dentato. Houve em Portugal

| | tanta fartura, que os mantimentos

| | se davaõ quasi de graça.

| |

52 | 700 | Q. Cecilio Metello Neto.

| |

50 | 702 | Tuberon Proconsul.

| |

47 | 705 | Foy nomeado Pompeo para Pretor de

| | ambas as Provincias de Hespanha, as

| | quaes administrou por Legados, que

| | foraõ Petreyo, Afranio, e M. Varro.

| | Neste anno andavaõ em grande calor as

| | guerras civis entre Pompeo, e Julio Cesar.

| |

46 | 706 | Sendo Julio Cesar Consul, e Dictador,

| | regeraõ ambas as Hespanhas Q.

| | Cassio a Ulterior, e o Proconsul M. Lepido

| | a Citerior.

| |

44 | 708 | Q. Cassio Longino Propretor da Hespanha

| | Ulterior summamente avaro, e

| | cruel.

| |

43 | 709 | C. Trebonio Proconsul.

| |

42 | 710 | Q. Fabio Consul triunfou na Hespanha.

| | Neste anno pelejando Julio Cesar

| | contra os filhos de Pompeo, alcançou

| | delles o triunfo junto da Cidade de Munda

| | no Reino de Granada, em que os

| | Portuguezes mostraraõ grande fidelidade

| | a Pompeo.[518]

| |

40 | 712 | Q. Pelio Proconsul triunfa na Hepanha.

| |

39 | 713 | M. Emilio Lepido tambem alcançou

| | vitoria na Hespanha.

| |

37 | 715 | Tomaõ os Lusitanos a Era de Cesar.

| |

35 | 717 | Cneyo Domicio Calvino Proconsul

| | triunfa.

| |

| | C. Norbano Flaco Proconsul triunfa.

| |

31 | 721 | C. Asinio Polion, discipulo de M.

| | Tulio, ficou governando Hespanha na

| | ausencia de Julio Cesar.

| |

26 | 726 | Vendo o Imperador Octaviano Augusto

| | o pouco, que as armas Romanas

| | tinhaõ conseguido em Hespanha pelo espaço

| | de duzentos annos, determinou vir

| | em pessoa, e dentro em quatro annos

| | conciliou a paz em toda a Hespanha. Estando

| | em Tarragona, gozou hum pleno

| | dominio da honra Imperial. Muitos

| | povos Portuguezes lhe dedicaraõ templos,

| | e estatuas pelas mercês, e privilegios,

| | que lhes concedeo, singularizando-se

| | Evora, Mertola, Lisboa, e

| | Santarem, mudando todas os seus nomes,

| | que tinhaõ, em outro, que dissesse respeito

| | aos favores recebidos; e assim Evora

| | se principiou a chamar _Liberalitas Julia_,

| | Mertola _Mirtilis Julia_, Lisboa _Felicitas

| | Julia_, Santarem _Julium Præsidium_.

| |

2 | 750 | Neste anno mandou o dito Imperador,

| | estando em Tarragona, publicar o

| | edicto geral para se alistar toda a gente,

| | que havia no mundo sujeita ao Imperio

| | Romano, e pagar certo tributo, que

| | era trinta e seis reis cada pessoa em reconhecimento

| | da vassallagem. De Portuguezes

| | se alistaraõ cinco contos e sessenta

| | e oito mil pessoas cabeças de familias,

| | cuja ordem se passou nas Chancellarias

| | do Reino, chamadas entaõ Conventos

| | Juridicos, e eraõ _Merida_, que

| | hoje está fóra do territorio de Portugal;

| | _Béja_, à qual acudia o povo de Alentejo,

| | e Algarve; _Braga_ para o povo do

| | Minho, e Tras os Montes; _Santarem_

| | para o da Beira, e Estremadura.

| |

1 | 751 | Neste anno se fez famoso hum Portuguez

| | do Minho, chamado _Corocota_, que

| | com certo numero de vadios inquietou

| | varias terras, e o Imperador promettendo

| | tres mil cruzados a quem o apanhasse,

| | elle mesmo se lhe veyo offerecer, e

| | o Imperador perdoando-lhe, o admittio

| | para sua guarda.

| |

| | Depois do Nascimento de Christo até

| | os Godos naõ ha cousa memoravel, que

| | pertença à Lusitania, mais que o acharse

| | em huma socegada paz na obediencia dos

| | Romanos. Até os tempos dos Imperadores

| | Maximiniano, e Diocleciano durou

| | o governo de Hespanha em Pretores,

| | e Proconsules: no de Constantino

| | houve outro estylo, porque se instituio

| | hum Vigario do Imperio, a que obedeciaõ

| | todos os Legados, e Regedores das

| | Provincias, e o tal Vigario ainda reconhecia

| | por Superior ao Prefeito do Pretorio,

| | que residia em França, por estar

| | no meyo das terras da sua jurisdicçaõ.

| | Depois se começou a governar por Condes.

| | Havia tambem alguns Regulos, ou

| | Fidalgos, Senhores de Cidades, subditos

| | ao Imperio Romano, qual foy Ont

| | Comero, pay de Santa Engracia, e no

| | tempo dos Godos Castinaldo, Principe

| | de Nabancia, e Cathelio, Senhor de

| | Norba Cesarea, e pay das Santas nove

| | irmãs.[519]

Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II · 第 107 / 163 题