273 _Vide._ Cerca esta ribeira a Villa de Castello de Vide.

274 _Vizella._ Fórma-se de tres regatos, que nascem no Concelho de

Monte-Longo; e lavando com suas aguas a Aldeya de Arricanha, se mistura

com o Ave, e perdem ambos o nome, mergulhando-se no mar pela Villa do

Conde. Alguns lhe chamaõ _Avizella_. Delle cantou Manoel de Faria:[258]

_Corre el Visela amado

Progresso sonoroso,

O crystalino parto de una peña,

A ser favor de un prado._

275 _Unhaes._ Pequeno ribeiro, que passa pelo pé da Villa de Alvares, e

se mete no Zezere.

276 _Voliarça._ Nasce esta ribeira na Freguezia de S. Brissos, termo de

Béja, e correndo de Poente a Nascente, se mete no Guadiana, passando

primeiro entre Béja, e Cuba, da qual dista huma legua.

277 _Vouga._ Assinaõ o nascimento deste rio na fonte da Senhora da

Lapa, ou na serra de Alcoba. Daqui vem descendo ao Mosteiro de S.

Bento, que ha em Ferreira de Aves, pela parte do Poente; rega muitos

Lugares, até que misturado com os rios Sul, e Agueda, entra em Aveiro

com bastante soberba, segundo diz Fr. Joaõ Felix na Isagoge:

_Amnibus innumeris, Agathoque superbus in æquor

Piscoso latè gurgite Vacca fluit._

Tem huma grandiosa ponte, acabada no anno de 1713 por ordem do

Fidelissimo Rey D. Joaõ V.

278 _Xever_, _Xevera_, _Xeverete_, e _Xola_. Saõ ribeiras, que procedem

da serra de Portalegre.

279 _Xudruro._ Ribeiro, que nasce na fonte Freja do Concelho do

Guardaõ, e fertiliza muito o Lugar de Janardo.

280 _Zacharias._ Com este nome corre huma ribeira pelo termo da Villa

de Alfandega da Fé sujeita a huma ponte de quatro arcos, e tem seu

nascimento na serra de Sambade, que outros chamaõ de Montemel. Tendo

corrido seis leguas, vay acabar no rio Sabor junto do Lugar dos Picões.

281 _Zezere._ A este rio chama Camões caudaloso, e na verdade o he com

as enchentes de outros, que entraõ nelle. Nasce na serra da Estrella

sobre a Villa de Manteigas pela parte de Levante; e dando volta ao

Poente, recebendo varios rios, e ribeiros, enfadado da jornada se vay

a Sudoeste, e se torna para o Sul receber outros riachos, e dá entrada

ao Nabaõ, que com o ribeiro da Cortiça, e regatos daquelles montes

fertiliza Thomar. Na Aldea da Mata se deixa atravessar com a barca

da Esteveira: e pela famosa ponte do Cabril, que faz a divisaõ dos

termos de Pedrogaõ grande, e pequeno. Vay finalmente acabar em Punhete,

mergulhando-se no Tejo com tanto impeto, que na distancia de mil e

quinhentos passos ainda conserva a mesma cor azul, e sabor doce das

suas aguas, como bem advertem Resende, e outros.

Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II · 第 72 / 163 题