137 _Gobe._ Entra no Guadiana da parte de Portugal.

138 _Grefões._ D. Francisco Manoel cuida que he o Celando, que nós

appropriamos ao Cávado. Veja-se o Padre Poyares no Diccionario pag. 347.

139 _Gogim._ Faz este rio com suas aguas, que banhaõ a Freguezia do

Salvador de Sabadim, Comarca de Viana, augmentar grandemente o rio Vez,

com o qual se incorpora.

140 _Guadiana._ Nasce quatro leguas de Montiel em huma lagoa chamada

Roidera na terra de Alhambra; e sumindo-se junto de Argamansilha,

resurge dalli sete leguas perto de Daimiel, onde chamaõ os olhos do

Guadiana; e correndo do Oriente para Poente, entra em Estremadura.

Chegando a Medalhim, muda seu curso para Meyo dia até chegar huma legua

antes de Merida, donde torna ao Poente, banhando seus muros, e os do

Castello de Lobon, e Cidade de Badajoz, a huma legua da qual, e duas da

Cidade de Elvas, divide os termos de ambas por huma parte, e o rio Caya

por outra.

141 O nome proprio antigo de Guadiana foy _Ana_, derivado, conforme a

opiniaõ de alguns, de _Sic-ano_, que dizem ser Rey de Hespanha; porém,

segundo Samuel Bocharto,[233] he palavra Syriaca, a qual significa

ovelha, porque nas margens deste rio se apascentaõ grandes rebanhos

desse gado. Os Mouros lhe chamaõ _Guad-hana_, que quer dizer cousa,

que se esconde. Entra em fim em Portugal abundante de aguas de outros

menores rios, que se lhe introduzem, e perdem nelle o nome. Continúa

seu curso, dividindo a antiga Betica da Lusitania, e se lança no Oceano

Athlantico entre Ayamonte, e Castro-Marim.

141 Enobrecem-no tres formosas pontes, a de Merida, Badajoz, e

Olivença. Nesta ponte mandou ElRey D. Joaõ II. edificar huma torre de

tres sobrados com suas janellas, e seteiras, que defendiaõ a passagem

do rio. Depois a mandou reedificar ElRey D. Manoel, ficando huma das

mais galhardas, e formosas pontes de todo o Reino por sua fortaleza,

arquitectura, e fabrica, a qual assenta sobre os penhascos do rio,

que naquella parte corre alcantilado sobre dezoito arcos, e tudo he

passo importantissimo para soccorrer Olivença, em que os passageiros

pagavaõ certo direito, que já naõ permanece. No principio das ultimas

guerras de Castella, que aconteceraõ o anno de 1709, a arruinaraõ os

Castelhanos. Fr. Bernardo de Brito na Geografia de Portugal, fallando

das aguas deste rio, diz, que costumaõ fazer negra a farinha do trigo,

que com ellas se moe. Tem ellas virtude diuretica, e deobstruente, como

nos diz o _Aquilegio Medicinal_.

145 _Herdeiro._ Corre este rio chegado aos muros de Guimarães. Traz sua

origem da fonte do Bom-Nome, que está no Casal, que chamaõ d’Entre as

vinhas, na Freguezia de S. Pedro de Azurey. Tem huma só ponte de pedra

lavrada, que chamaõ de Santa Luzia, mais magestosa do que convinha

à pobreza das suas aguas. Vay acabar no rocio de S. Lazaro, aonde

ajudando-o outro regato, vaõ ambos incorporarse com o Celho no Lugar do

Reboto.

144 _Homem._ Tem seu berço na serra do Gerez, e no sitio chamado

_Lamas de homem_. Dalli correndo direito ao Poente precipitado por

entre penedias, vay engrossando com os cabedaes de outras ribeiras

até se despenhar estrondosamente na Portela de Homem; donde voltando

a corrente para o Meyo dia dentro do espaço de meya legua, torna a

enriquecerse com as aguas de treze rios, com as quaes muito mais

poderoso vay desembocar no rio Cávado a huma legua de Braga.

145 _Jarda._ Ribeira bem conhecida no termo de Lisboa, e na Freguezia

de Bellas, por onde corre.

146 _Inha._ He huma ribeira muy impetuosa, que corre de altos

precipicios, e onde se criaõ aguias. Mete-se no Douro.

Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II · 第 52 / 163 题