5 _Agualva._ Ribeira, que passa junto da Villa de Bellas.

6 _Agua santa._ He hum grande ribeiro, que nasce da serra de Ossa, e se

mete no rio Tera.

7 _Aguas livres._ He huma formosa ribeira de abundantes aguas, que

corre pela Freguezia de Bellas, termo de Lisboa. Em algumas partes he

caudalosa, e naõ se passa sem ponte, como he no lugar chamado Ninha

a Pastora, e no forte da Cruz quebrada. Saõ conduzidas estas aguas

para Lisboa em soberbo, e forte aqueducto, que por ora descreveremos

brevemente.

8 Tem elle o seu primeiro manancial nesta ribeira em distancia de boa

meya legua da ponte, a que alguns chamaõ de Bellas. A abundancia de

agua neste nascimento por si só vence os tres principaes chafarizes

de Alfama, que ha na Cidade. Manifestou-se pois este famoso aqueducto

para se pôr prompto em 6 de Agosto de 1732; e logo ao principio da

ribeira em distancia de 1800 palmos se lhe introduzio huma boa fonte,

a que chamaõ a Fonte santa do Leaõ; e continuando o aqueducto ao lado

direito da ribeira, (que logo a atravessou junto ao nascimento, que

fica à parte do Poente) caminha até avistar a ponte de Caranque, e aqui

se aparta da mesma ribeira para o Lugar da Porcalhota, encostando-se ao

oiteiro de S. Braz.

9 Neste progresso vay mais para diante recolher a agua, que lança a

fonte chamada de S. Braz para a parte da Porcalhota, e logo atravessa

por baixo da estrada junto à quinta do Galvaõ proximamente à Ermida

de Santo Antonio da mesma quinta, donde salvando sobre huma ponte a

ribeira, que passa por dentro da dita quinta, se inclina a buscar a

raiz do Lugar da Fragoza; e continuando pela mesma encosta até o Lugar

de Calhariz, fronteiro à Freguezia de Bemfica, se vay prolongando

por defronte do Convento de S. Domingos até o monte, que chamaõ das

tres Cruzes, donde se passa a ribeira de Alcantara para se introduzir

no Bairo alto, recolhendo por este caminho (que he o da mais baixa

nivelaçaõ, que permittia o calice, em que a agua deve cahir no dito

bairro) varias fontes, que se vaõ encontrando, e descubrindo nos

alicerces da mesma obra.

10 A fórma deste aqueducto he de hum corredor, ou mina artificial

de sete palmos de largo, e quatorze de alto, a que naõ chegou algum

dos aqueductos Romanos. Tem pelo meyo hum passeyo de tres palmos de

vaõ, fabricado de finissimo lagedo, e a cada lado hum encanamento de

marmore, que recebem ambos quarenta e duas manilhas de agua em palmo e

meyo de boca, e palmo e quarto de alto.

11 Huma das cousas singulares deste aqueducto he vir correndo a agua

horizontalmente por estes encanamentos sem declividade alguma; mas esta

se lhe vay dando a certas distancias por linhas perpendiculares, como

por degráos de escada, para total segurança, e conhecimento do quanto

se sóbe, ou desce; cousa, que tambem naõ se acha executada em aqueducto

algum. Desta sorte conduzidas à custa do povo, ainda que perdem o

antigo nome de aguas livres, mereceraõ outro mayor, e mais conhecido na

utilidade pública de huma taõ populosa Cidade, e na graça de hum taõ

inclyto Monarca, para cujo ardor em solicitar a commoda conservaçaõ de

seus vassallos ainda he pouco todo o manancial desta ribeira.

12 Os Romanos, quando Lisboa era seu Municipio, intentaraõ

introduzirlhe estas aguas por aqueductos subterraneos, abrindo a

este fim muitos rochedos; e entre as penedias asperissimas de dous

montes, que naquelle sitio existem, fizeraõ hum muro larguissimo, e

forte, que lhe servia para reprezar a agua de hum valle em huma lagoa,

em que traziaõ batéis, como diz Francisco de Ollanda em hum tratado

manuscrito, intitulado: _Fabrica, que falta a Lisboa_, o qual vimos, e

se conserva na Livraria do Excellentissimo Conde do Redondo.

13 Tambem o Senhor Rey D. Manoel determinou encaminhar estas aguas

para Lisboa, e que corressem na praça do Rocio. Para isso mandou fazer

ao allegado Francisco de Ollanda o desenho de hum chafariz, que nós

vimos, e constava da figura de Lisboa em cima de huma columna cercada

de quatro elefantes, que pelas trombas expulsavaõ a agua. Estes desejos

naõ tiveraõ effeito, nem ainda em tempo do Infante D. Luiz, que tanto

appeteceo conduzir esta agua para a ribeira das Náos, em fórma que as

da India della fizessem as suas aguadas. Consta tambem pelo que diz

Luiz Marinho de Azevedo, que o Senado de Lisboa tinha junto para a obra

desta conduçaõ mais de seiscentos mil cruzados, os quaes se divertiraõ

nas festas, que se fizeraõ com a entradada de Filippe III. Todos estes

embaraços estiveraõ esperando pela providente resoluçaõ delRey D. Joaõ

V. para fazer mais feliz o seu reinado, escolhendo, e approvando para

a sumptuosidade desta fabrica o risco, e desenho do Brigadeiro Manoel

da Maya, que por sua sciencia, engenho, e outros attractivos de bondade

merece imortaes elogios.

14 _Agueda._ Neste Reino ha dous rios deste proprio nome: hum, que

passa por Agueda, e este he o _Emineum_ dos antigos, que vay morrer em

Aveiro: outro, que divide Portugal de Castella na Comarca de Riba-Coa.

Nasce na serra da Estrella, passa pela Ciudad Rodrigo, vay à ponte da

Villa de S. Felizes, donde a pouco espaço por entre altos montes em

Vilvestre entra no Douro.

15 _Aguilhaõ._ Nasce na serra do Maraõ formado de tres fontes, e com

arrebatado curso se mete no rio Corgo. Cria muitos, e gostosos peixes,

especialmente bordallos, que se apanhaõ aos cardumes. Pelas margens ha

copia de arvoredos, e vinhas, que fazem toda a sua corrente agradavel,

e amena; dando que fazer a mais de vinte açudes, deixa-se atravessar

por tres pontes de páo, e huma de cantaria.

16 _Alborrel._ Nasce na serra de Portalegre. Vem circulando Aremanha, e

divide Portugal de Castella. Nelle se pescaõ gostosos barbos.

17 _Alcantara._ Esta formosa ribeira quasi que cerca Lisboa, e se mete

no Tejo pela parte do Poente. Luiz Mendes de Vasconcellos no livro, que

compoz, intitulado: _Sitio de Lisboa_, mostra de quanta utilidade seria

communicarse este rio com o de Sacavem, do qual naõ dista mais que

legua e meya para que ficando dentro deste circulo Lisboa, conseguisse

o mais seguro, e fertil terreno, que houvesse no mundo. Neste sitio

está a fabrica Real da Polvora reedificada por Antonio Cremer.

18 _Alcaraviça._ He ribeira, que corre pela Aldea chamada dos Gallegos

no termo da Villa de Borba, onde tem seu nascimento em duas fontes taõ

abundantes de agua, que fazem moer muitas azenhas.

19 _Alcarabouça._ Provê este rio de bastante peixe a Villa de Ficalho,

por onde corre quatro leguas distante de Serpa.

20 _Alcarapinha._ Corre junto a Elvas, e nasce na serra de Aviz. Suas

aguas augmentaõ muito a ribeira de Coruche.

21 _Alcarque._ Conforme a Geografia Blaviana he rio, que no seu Mappa

vem assinado na Provincia do Alentejo.

22 _Alcarrache._ He huma Ribeira, que nasce em Castella na serra de

Santa Maria, e vem sahir ao termo de Mouraõ, trazendo de jornada

quinze leguas; até que engrossada sua corrente com as aguas de outros

ribeiros, e fazendo trabalhar muitos moinhos, vay morrer no Guadiana.

Pescaõ-se nelle excellentes, e grandes barbos, e outros peixes mais

miudos: e se vadea por duas boas pontes de pedra.

23 _Alcoa_, antigamente _Coa_. He o que unindo-se com o chamado _Baça_,

deu nome ao sitio de _Alcobaça_, onde os Religiosos Bernardos tem

o famoso, e magnifico templo, que alli fez edificar o Santo Rey D.

Affonso Henriques.

24 _Alcofra._ He rio caudaloso da Beira no termo de Lafões, e que se

mete no Alfusqueiro. As suas margens estaõ cheias de carvalhos, e

castanheiros enlaçados com muitas vides, de que se faz o bom vinho de

embarrado. Cria saborosas trutas, e se deixa vadear por quatro pontes

de páo.

25 _Alenquer._ Nasce ao pé da serra de Montejunto, e caminhando Norte

Sul o espaço de huma legua vem buscar nome à Villa de Alenquer. Aqui

fertiliza as suas quintas, e hortas com a abundancia de suas aguas

saudaveis, e aos seus moradores com a copia das suas trutas, barbos, e

bogas; até que incorporado com o rio de Ota se mete no Tejo junto de

Villanova da Rainha.

26 _Alferradede._ He ribeira, que rega muitos pomares, e hortas do

termo da Villa do Sardoal, e vay morrer ao Tejo.

27 _Alfusqueiro._ Passa este rio junto do Lugar dos Ferreiros, termo da

Villa de Vouga, e tem huma grande ponte de hum só olhal, muito alta,

fabricada de cantaria. Discorre tambem pela Villa de Assequins, e vay

descançar no rio Vouga.

28 _Algés._ Nasce este rio em hum oiteiro, que fica defronte do Lugar

de Monsanto, termo de Lisboa; e augmentado com as aguas de hum regato,

que brota por cima de Outorella, entra a fertilizar a quinta das

Romeiras até ir mergulharse no mar pelo pé do forte da Conceiçaõ, onde

está huma ponte de pedra, que parte com a nobre quinta do Duque de

Cadaval.

29 _Algodea._ Banha, e fecunda esta ribeira as hortas, e pomares, que

ficaõ fóra da Villa de Setubal: depois entra no Sado.

30 _Alja_, ou _Alje_. He huma caudalosa, e arrebatada ribeira, que

discorre pela Villa de Arega, cinco leguas de Thomar, e se vay esconder

no rio Zezere. Pescaõ-se nelle excellentes trutas, e outros peixes muy

gostosos. Os antigos lhe chamavaõ ribeira fria.

31 _Almaceda._ He rio, que cerca a Villa de Sarzedas, e entra no Ocreza

sempre arrebatado.

32 _Almansor._ Divide esta ribeira do Alentejo os limites da Freguezia

de Nossa Senhora da Repreza, dos de Santa Sofia; e chegando até o termo

de Montemor o Novo, onde troca o nome pelo de Canha, se esconde no Tejo

perto de Benavente; deixando com a benignidade das suas aguas ferteis

os pomares, e as terras por onde passa.

33 _Almonda._ Tem sua origem este rio na serra d’Aire, legua e meya da

Villa de Torres Novas. Saõ as aguas no seu nascimento, e matriz, taõ

claras, e he tanto o peixe, que se cria nellas, que ainda que o pégo he

fundo, se está vendo de cima das barreiras andarem a saltar: por isso

he aqui muy aprazivel a pescaria. Os Romanos acharaõ neste rio muita

semelhança com o Mondego, por cuja causa lhe chamaraõ _Alius munda_,

donde se originou com pouca corrupçaõ _Almonda_. Mete-se no Tejo junto

do Lugar da Azinhaga, como bem o diz o Reverendo Padre Luiz Cardoso no

Diccionario Geografico, emendando-me.

34 _Alpiaça._ He rio da Estremadura, que nasce perto da Villa de Ulme;

de inverno corre arrebatado, e cria excellentes barbos, e fataças.

Mete-se no Tejo.

35 _Alpreade._ Nasce esta ribeira na serra da Gardunha, e correndo

sempre desasocegada, vay acabar no rio Ponsul, passando por quatro

pontes de pedra, e fazendo trabalhar trinta e quatro azenhas, tres

lagares, e hum pizaõ. Cria muitas trutas, e bordallos.

36 _Alva._ Este rio tem o nascimento na serra da Estrella; e fazendo

logo seu caminho ao Poente por baixo de hum monte, discorrendo em

algumas partes muy claro, vem cercar as Villas de Arganil, Coja,

Pombeiro, Penalva, Sandomil, Villa Cova de Subavó, e S. Romaõ, onde

tem duas pontes, huma chamada de Peramol, pela qual vay o caminho de

Veraõ para a Covilhã, outra de cantaria lavrada, na estrada, que vay

para Valezim. Pescaõ-se nelle boas bogas, trutas, lampreas, e saveis.

Finalmente entrando no Mondego rico de outras ribeiras, acaba no Oceano.

37 _Alvar._ Nasce esta ribeira na serra de Montemel pela parte do Lugar

de Covellas; e passando junto da Villa da Alfandega da Fé, vem ao Lugar

de Santa Justa, donde caminhando quatro leguas, desagua na ribeira

Vellarva.

38 _Alvaro._ No termo da Villa de Alvaro pela banda do Sul tem seu

nascimento esta ribeira; que dá o nome à Villa; e passando por duas

pontes de pedra, rodea o monte da Villa, e se mete no Zezere, fazendo

parecer aquella povoaçaõ huma peninsula.

39 _Alviella._ A boa opiniaõ que fiz da Corografia Portugueza composta

pelo Padre Antonio Carvalho, me obrigou seguirlhe as pizadas em muitas

noticias, que delle tirey, e a elle me refiro. Entre ellas foy a

maravilhosa voragem, ou sorvedouro que diz acontecer nos olhos de agua

em a nascente deste rio de Alviella; mas como o Reverendo Padre Luiz

Cardoso, natural de Pernes, pode examinar melhor esta particularidade,

e a reconhece agora no Diccionario Geografico por fabulosa, he justo

que eu nesta segunda impressaõ do meu Mappa, agradecendo-lhe a

advertencia, melhore a noticia.

40 Nasce pois este rio nas vertentes da serra do Patello junto do Lugar

da Louriceira, debaixo de hum grande rochedo; e logo em seu nascimento

vem com abundancia de peixes, especialmente bordalos, engrossando-se

com varios ribeiros até desembocar no Tejo junto ao Lugar do Reguengo.

Cria outras muitas castas de peixes saborosos em todo o tempo: faz

moer muitos moinhos, e lagares de azeite; e as suas ribeiras, e

margens estaõ cheias de arvoredo silvestre, e frutifero, que as fazem

vistosissimas. Sujeita-se porém a oito pontes; e dá abrigo a bastante

caça miuda de arribaçaõ.

41 _Almioso._ He huma ribeira da Estremadura que nascendo pobre no

Troviscal, vay desaguar caudaloso no fim da cerca dos Religiosos

Capuchos da Certã. Cria muitos peixes miudos, e admitte algumas pontes.

As suas margens saõ incultas por fragosas, mas entre as suas areas se

acha ouro.

42 _Analoura_, ou _Anhaloura_. Nasce entre as Villas de Borba, e Villa

Viçosa, rega a Villa de Veiros, e misturada com a ribeira de Fronteira,

vay engrossar a de Sauzel, e entraõ ambas por Aviz, até desembocar no

Sorraya.

43 _Ancora._ As aguas deste rio que nascem na serra de Arga, dividem

o Concelho de Caminha do de Viana. Dizem que adquirira o nome, que

possue, desde que ElRey Ramiro II. lançara nelle sua mulher Dona Urraca

atada em huma ancora para ir mais depressa ao fundo. Authores ha que

tem isto por fabula. Morre finalmente no mar junto de Caminha, onde

fórma huma pequena barra com o fortim da Lagarteira.

44 _Anços_, antigamente _Anceo_. Vem da Redinha banhar a Villa de

Soure, e dar nome a Villanova de Anços; e junto com outras correntes se

mete no Mondego a baixo de Coimbra.

45 _Aravil._ Nasce junto de Castellobranco, e morre no Tejo. Pelo

Inverno corre arrebatado, e no Veraõ secca. He constante levar nas suas

correntes algum ouro, e por isso procurado de gandaeiros.

46 _Arcaõ._ Nasce no celebre olho de agua Borbolegaõ na Villa de

Grandola, e se mete no Sado acima de Alcacer.

47 _Ardila_, ou _Ardita_. He huma ribeira furiosa da Villa de Moura.

Fazem-na opulenta as enchentes das ribeiras Brunhos, e Lavandeira.

Desemboca no Guadiana, passando primeiro pela Villa de Noudar, que a

deixa quasi reduzida a Ilha, juntando-se, com a ribeira da Murtiga.

48 _Arestal._ He huma lagoa profunda, que fica na Beira, e na serra do

seu mesmo nome. Em todo o anno lança agua para todas as partes, e faz

nascer della dous ribeiros. Dizem que se communica com o mar.

49 _Arunca._ Nasce na ribeira de Gaya, e augmentando-se com as aguas de

outras ribeiras, vay correndo até à Villa de Pombal pelo espaço de tres

leguas, fertilizando de caminho muitos pomares, e quintas. Antes de se

meter no Mondego, passa pelas Villas de Soure, e Villanova de Anços.

No tempo de Inverno se enfurece, e corre com tanto impeto, que leva

comsigo searas, e edificios. Os antigos lhe chamaraõ Tapiço.[223]

50 _Asturãos._ Rio do Minho, que nasce no sitio de Azevosa com muita

humildade, e continuando com a mesma brandura, vay acabar no Lima,

deixando de si saudades nas deliciosas, e frescas margens por onde

passou.

51 _Ave._ Procede da serra de Agra, e de huma ribeira, a que chamaõ da

Lage; e unindo-se com hum regato ao pé da serra de Cabreira, já com

bastante cabedal separa o Concelho de Vieira das montanhas de Barrozo,

e quatro leguas antes de entrar no Oceano, divide o Arcebispado de

Braga do Bispado do Porto. Rega os Conventos de Bairaõ, e de S. Tyrso,

e os campos do Lugar Celeiró. Tendo recebido abaixo de Guimarães o

Vizella, ou Avizella, que passa por Pombeiro, caminha apressadamente

por baixo de varias pontes muito boas, e finalmente vay sepultarse no

mar por entre a Villa de Conde, e Azurara. O Padre Vasconcellos, como

traductor de Duarte Nunes, o faz erradamente, como elle, nascer junto

de Guimarães, como bem repara Fr. Leaõ de Santo Thomaz.[224] Em algumas

partes corre com tanta doçura, e suavidade, que obrigou a cantar delle

Manoel de Faria:[225]

_De donde ouvindo estava o som divino,

Que faz correndo o Ave crystallino._

Todas as terras, por onde este rio passa, e vay regando, saõ

deliciosas, e elle abundante de barbos muy grandes, e saborosissimos.

52 _Aviz._ He huma ribeira, que nasce acima de Monforte, e passando

pela Villa de Fronteira, e outras terras, em que recebe varios riachos,

com que se engrossa, chega à Villa de Aviz onde adquire o nome, e passa

por huma ponte de boa fabrica, até ir acabar ao Tejo incorporado com o

Sorraga, e Divor.

53 _Azibo._ Com forças medianas discorre pelos limites da Villa de

Chacim, sete leguas de Moncorvo. Principia no Lugar de Podense, termo

de Bragança, e depois de caminhar quasi sete leguas, vay introduzirse

no rio Sabor por cima da ponte de Remondes, limite da Villa de

Castro-Vicente.

54 _Baça._ Este rio, juntando-se com outro chamado Coa, nasce da parte

Oriental de Alcobaça, e fazendo volta para o Occidente, rega por

grande espaço os fertilissimos campos de Mayorca, e Abbadia, até que

junto da Villa da Pederneira se mergulha no Oceano.

Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II · 第 34 / 163 题