XII.

A José Felix dos Santos.

Sempre o futuro! sempre! e o presente

Nunca! Que seja esta hora em que se existe

D'incerteza e de dor sempre a mais triste,

E só nos farte a esprança um bem ausente!

O futuro! Que importa? se inclemente

Essa hora em que a esprança nos consiste,

Chega... é presente... e só á dor assiste?!

Assim, onde é a esprança que não mente?

Desventura ou delirio? O que procuro,

--Se me foge--é miragem enganosa,

--Se me espera--peór, espetro impuro.

Assim a vida passa vagarosa:

O presente a aspirar sempre ao futuro,

O futuro uma sombra mentirosa.

Sonetos de Anthero · 第 27 / 39 题