V.

A Alberto Telles.

Só!--Ao ermita sosinho na montanha

Visita-o Deus e dá-lhe confiança:

O nauta, que o tufão aos polos lança,

Ainda espera um sopro que o ceu tenha!

Só!--Mas quem se assenta em riba estranha,

Longe dos seus, lá tem inda a lembrança:

E inda no peito deixa Deus a esprança

A quem á noute chora em erma penha.

Só!--Não o é quem possue na terra um laço

--Um que seja--que o prenda a este fadario,

Uma crença, uma esprança... e inda um cuidado.

Mas cruzar--indifrente--inertes braços,

Mas passar--entre turbas--solitario,

Isto é ser só, é ser abandonado.

Sonetos de Anthero · 第 17 / 39 题