_EM cumprimento do que V. Illuſtriſsima me manda por ſeu deſpacho, li
este livro, que tem por titulo, Vida de D. Duarte de Meneſes terceiro
Conde de Viana composto por D. Agoſtinho Manoel; não tem couſa contra
N.S Fé Catholica, & bons coſtumes; & todas as que nelle ſe relatão,
me parecem mui dignas de ſerem divulgadas, pelo grande intereſſe, que
da lição dellas reſultarâ a todos os que quiſerem imitar, & ſeguir o
exemplo de hũ famoſo varão, que tam inſigne foi pelo esforço de ſeu
invencivel animo, como pelo continuo exercicio das muitas, & ſingulares
virtudes, de q̃ foi dotado; das quais, & de ſuas victorias puderaõ
estar eſcritos muitos cõmentarios, ſe a naçaõ Portugueſa, por ſua
natural emulação ou deſconfiança, não fora tam avarenta no eſcrever,
como prodiga no obrar, porêm neſte breve compendio eſtaõ referidas ſuas
obras, por hum tam excellente, & levantado eſtillo, que a viſta desta
proſa não tem quẽ procurou, ſe fizeſſe, que envejar nos verſos porque
tanto ſuſpirou, quem ſenhoreando o mundo todo, achava, que sô elles lhe
avião faltado para fazer inmortal ſua fama & ficar ſingular em tudo.
Lisboa 1. de Dezembro de 626._
Diogo Oſorio de Caſtro.
_Imprimaſe, viſta a aprovação do Inquiſidor Diego Oſorio de Castro.
Lisboa 3 de Dezembro de 626._
O Biſpo Inquiſidor geral.
_Podeſe imprimir, Lisboa 5. de Dezembro de 616._
_Señor_
Eugenio Cabreira.
_LI por mandado de V Magestade eſta hiſtoria do Conde de Viana, cõposta
por D Agoſtinho Manoel, & não acho nella couſa algũa, que impida o
imprimirſe; antes muitas muito excellentes, aſsi deſte ilustriſsimo
capitão, honra em ſeus tempos da naçaõ Portugueſa, como do eſcriptor,
que he hum dos grandes eſpiritos nos noſſos: tem grande juizo na
eleiçaõ, & eloquencia na narraçaõ: enſina muita doutrina politica,
muita moral; livro he a meu parecer; digno de trazeremno nas maõs
todas as peſſoas, que tem a ſeu cargo adminiſtraçoens publicas, ou
governos; porque em cada folha acharaõ ponto, quelhes ſirva. Dos que
hoje eſcrevem em Eſpanha, que eu conheço nenhum tem milhor eſtito que
D. Agoſtinho; & verdadeiramẽte merece que V. Mageſtade o honre, &
alente, ſe quer para que ſeja exceiçaõ da má fortuna, que neſte Reyno
tem sempre todos os grandes engenhos. Guarde Deos a Catholica peſſoa de
V. Mageſtade. Lisboa 18 de Dezembro de 1616._