SONETO II.

N'um fertil campo do soberbo Douro,

Dormindo sobre a relva descançava,

Quando vi que a Fortuna me mostrava

Com alegre semblante o seu Thesouro.

De huma parte h[~u] montão de prata, e ouro

Com pedras de valor o chão curvava;

Aqui hum sceptro, alli hum trono estava,

Pendião coroas mil de grama, e louro.

_Acabou-se_ (diz-me então) _a desventura:

De quantos bens te exponho qual te agrada,

Pois benigna os concedo, vai, procura_.

Escolhi, acordei, e não vi nada:

Commigo assentei logo que a ventura

Nunca chega a passar de ser sonhada.

Marilia de Dirceo · 第 95 / 113 题