XIX

Eu ia para baixo dos arvoredos, para junto dos rios--e olhava para as

nuvens.

Tudo me parecia despovoado e apenas como a sombra de uma vida distante.

Outr'ora--ó lendas de encantos e de amores! ó rondas aereas das

nixes por entre a musica dos cannaviaes! ó ondinas humidas! ó danças

nebulosas das wilis! ó espiritos gentis e vaporosos, que andaveis

nos aromas das violetas! ó elfos pequenos, que adormecieis dentro

do calice dos lirios brancos, embalados como n'um berço! ó dôces e

enganadoras creaturas, que povoaveis e alumiaveis tudo como estrellas

romanticas!--outr'ora os rios, o ceu e os arvoredos encobriam-vos, ó

invisiveis! mas como em tecido fino, que deixa passar todos os aromas e

todas as côres.

E agora os rios, o ceu, os arvoredos estão desertos.

Os arvoredos só contam, como velhos palradores, historias de gigantes,

loucas legendas de combates e feitiços, e as aventuras das filhas da

folhagem.

O ceu tem apenas nuvens, que erram lentas e pesadas como os pensamentos

serios d'um craneo immenso.

Os rios vão sempre cantando e fugindo, como os amores da mulher.

Prosas barbaras com uma introducção por Jayme Batalha Reis. · 第 33 / 87 题