«Pelas chagas de teu filho,
pelas dôres que soffreu,
pelo pranto que verteste
quando na cruz te morreu,
valei-me, Nossa Senhora,
nesta dôr que sinto agora!
«Inda a pouco era ditosa,
tinha amor, tinha esperança,
de um momento de tristeza
não tenho a menor lembrança!
eu sorria ao ver-me assim;
meu sorrir já teve fim...
«De tudo quanto já tive
que mais me resta? mais nada!
quiz provar-lhe o meu affecto
e fui vilmente insultada!
Ai, Pedro! que me mataste
quando assim me injuriaste!
«Agora que mais espero?
que esp'rança mais posso ter?
venha a morte e venha breve,
que sou feliz se morrer!
Que Deus lhe pague em prazer
o quanto me fez soffrer.»