«--Pedro! Pedro! então que é isto?!
valha-me Nossa Senhora!
--Margarida, vae-te embora,
tu não me queiras perder!
--Pelo que tens mais sagrado,
deixa esse moço, coitado!
que mais lhe queres fazer?!...
«--Quero mostrar a um patife
como se falla a uma moça;
elles pensam que na roça
é como lá na cidade?!
«Estão enganados comigo!...»
E com o joelho no umbigo
dava-lhe sôcco á vontade!
«--Soccorro! gritava a moça
quazi louca de terror;
meu pai, accuda o senhor,
porque elles se vão matar!...
meu Pedro, não sejas louco,
olha, escuta, espera um pouco;
meu Deus! quem ha-de apartar?
«--Sahe-te d'aqui co'os diabos!
não me atormente a cabeça,
puche já, não me aborreça...
você pensa que me embaça?
É tambem teu namorado?
ha de amargar um bocado,
hei de tirar-lhe a fumaça...
«--Repare que é minha filha;
escutou, _seu_ malcriado?
sou velho, estou alquebrado,
mas ninguem me offende em vão!
sei tolerar n'essa idade
loucuras da mocidade;
mas insultal-a, isso não!
«Margarida é muito honesta!
não é lá quem você pensa!...
acho bom que se convença
que ella tem alguem por si!
Vem-te embora, minha filha,
o homem, que assim te humilha,
é mais que indigno de ti.»