I
Ha quem diga que a franceza
é a mulher por excellencia;
mil outros dão preferencia
aos requebros da hespanhola:
dizem que ella prende e mata
quando a melena desata
e no fandango arrebata
ao trinar da castanhola.
As bellas filhas da Italia
tem milhões de adoradores,
lá na patria dos amores
quem dá leis é o coração.
É tudo vida, alegria,
feixes de luz, de harmonia,
ondula em torno a poesia
nesse mar da inspiração.
Eu acho a todas bonitas
quando de veras o são,
quer sejam do Indostão,
d'Allemanha, Italia ou França;
mas p'ra mim a brazileira
d'entre todas é a primeira:
é gentil, é feiticeira
como um sorrir de creança.
As outras guardam comsigo
da velha Europa a imponencia;
estas não, tem a innocencia,
tem o perfume das flôres;
captivam pelos encantos
ingenuos puros e santos,
e são, meu Deus, taes e tantos,
que fazem morrer de amores!
Quem póde escutar-lhe as fallas
quando a tremer de receio,
baixando os olhos no enleio
em que a prende o coração,
ella diz corando e rindo:
«Do meu ceu de amor inflado,
tu és o astro mais lindo
da maior constellação!»?
Quem póde conter no peito
o travesso coração?
quem não sujeita a razão
ao dominio dessas fallas?
quem não se abraza nos lumes
da mulher que tem perfumes,
de que as rosas tem ciumes
se vão se encontrar nas salas?
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